3 de jun de 2017

O rosto, o trem, a paisagem.

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Nota: Comecei a ler "País das neves", pois, em um grupo de leitores do Whatsapp, alguém comentou que Gabriel Garcia Marquez tinha alguma ligação com Yasunari Kawabata (escritor japonês que, até então, eu nunca ouvira falar). 

O trecho abaixo ocorre em uma viagem de trem ao país das neves. Um passageiro, Shimamura, observa uma moça através do reflexo no vidro da janela.

Achei muito bonita essa parte do livro. A cena foi tão belamente descrita, que é difícil acreditar que a imagem surgiu em minha mente a partir de um conjunto de palavras. Sinto que eu estava no mesmo trem que Shimamura.

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"Na profundidade do vidro a paisagem noturna corria, fundindo-se como as figuras refletidas, como dois filmes superpostos. As figuras e o fundo não tinham entre si qualquer afinidade, entretanto as figuras, transparentes e inconsistentes, e o fundo, vago na escuridão, se misturavam numa espécie de mundo simbólico, extraterreno. E quando uma luz perdida entre as montanhas brilhava no meio do rosto da moça, Shimamura sentia doer-lhe no peito aquela beleza indefinível."

Yasunari Kawabata. País das neves. p. 6.


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