1 de fev de 2017

Sobre o ensino de História

“Ora, a presença do homem civilizado neste planeta tem poucos milhares de anos, durante os quais tem causado terríveis males: destruímos sem dó a natureza, submetemos os mais fracos, matamos por atacado e a varejo, deixamos um terço da população mundial com fome, exterminamos os índios, causamos a morte de muitas civilizações e a desaparição de um sem-número de línguas. Mas, diga-se a nosso favor, não é só isso que fazemos. Escrevemos poesia sublime, peças de teatro envolventes e romances maravilhosos. Criamos deuses e categorias complexas de pensamento: tentamos compreender o que nos cerca, investigamos o universo e o átomo. O professor de História não pode ficar preso apenas a modos de produção e de opressão (embora isso seja fundamental). Pode (e deve) mostrar que tivemos a capacidade, graças à cultura que produzimos, de nos vestir melhor que os ursos, de construir casas mais seguras que o joão-de-barro, de combater com mais eficiência que o tigre, embora cada um de nós, seres humanos, tenha vindo ao mundo desprovido de pelos espessos, asas ou garras. Cada estudante precisa se perceber, de fato, como sujeito histórico, e isso não se consegue apenas com histórias de família, do bairro, ou da cidade. Nós nos sentimos agentes históricos quando nos damos conta dos esforços que nossos antepassados fizeram para atingirmos o estágio civilizatório a que chegamos. Para o mal, mas também para o bem.” 

PINSKY, Jaime. Por que gostamos de História. São Paulo: Contexto, 2003. p. 24

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