28 de dez de 2016

Vale a pena ver museus? (por Jaime Pinsky)

Vitória de Samotrácia (190 a.C)
Para saber mais, clique aqui.

"Entrar no Louvre já é uma experiência inesquecível. Num dos extremos do Jardim das Tulherias, uma imensa pirâmide de cristal abre suas portas para o visitante que desce até o andar térreo por uma escada rolante. Chegando lá embaixo, não hesite: pegue a escadaria que leva à ala Denon e suba todo o primeiro lance de degraus. De repente, você dá de cara com a Nike, ou Vitória de Samotrácia. Se não der para ver mais nada no Louvre, se não der para ver mais nada em Paris, namore a Vitória por meia hora. Depois disso, você nunca mais será  mesmo, pois terá visto uma das maiores obras do gênio humano. Esculpida no período helenístico, ela dialoga conosco como se tivesse sido talhada no mármore hoje. Sua beleza e sensualidade deslumbram milhões de homens e mulheres ao longo desses mais de vinte séculos desde que foi criada. Vê-la, senti-la, apropriar-se dela nos deixa mais humanos.

É principalmente para isso que servem os museus: ao nos revelar o gênio enrustido que carregamos, como membros da espécie humana, eles nos permitem perceber que somos depositários do imenso patrimônio cultural que nossos ancestrais construíram. Afinal, é a cultura, e não a capacidade de organização, que nos distingue de todos os demais animais da Terra. Organizadas são as formigas e as abelhas, construtores são o joão-de-barro e o castor, hábeis são os macacos e os cães, mas apenas os humanos são capazes de produzir, sistematizar e transmitir cultura. Os museus permitem que se estabeleça uma aproximação de cada um de nós com todo o patrimônio cultural da humanidade.

Ver museus não é uma obrigação chata, tarefa para dias chuvosos. Nem privilégio de meia dúzia de intelectuais de feição sisuda e óculos com lentes grossas. Como seres humanos livres, temos que exercer nosso legítimo direito de conhecer os museus.

E quais são os grandes museus do mundo, os imperdíveis? Elegê-los não é tarefa fácil, depende de quem somos e do que buscamos. Um museu grande nem sempre é um grande museu; há pequenas joias que não se pode deixar de conhecer. Claro, alguns como o Louvre, em Paris, o Museu Britânico, em Londres, o Metropolitan, em Nova York, parecem se impor. Mas que dizer do Hermitage, de São Petersburgo, do Prado e do Rainha Sofia, em Madri, do Vaticano, no próprio, para não falar dos temáticos como o Picasso, no Marais, em Paris, do Van Gogh, em Amsterdã, do Museu de História Natural, em Nova York, do Museu de Israel, em Jerusalém, do Museu Antropológico, na cidade do México? Há museus ao ar livre – Roma é um museu a céu aberto; na Normandia, norte da França, há importantes museus “do desembarque”, em que fotos e documentos interagem com restos de navios utilizados no dia D. Há museus debaixo da terra, como o de Altamira, em Santillana del Mar, na Cantábria, Espanha. Há museus do automóvel, do trem e do avião, da tortura e da deportação, do vinho e da cachaça, da vida marinha e da vida cotidiana. Tem para todo mundo.

Mas o Louvre é especial. Pode-se agir como o humorista americano Art Buchwald e visitar o Louvre em 6 minutos, tempo que ele dizia ser suficiente para dar uma espiada na Vitória de Samotrácia, na Vêunus de Milo e na Mona Lisa. Também se pode fazer como alguns turistas valentes e fisicamente bem preparados, que se propõem a conhecer “o Louvre inteiro” num só dia. Enorme bobagem. Querer ver tudo implica cansaço físico e mental, pessoas se arrastando diante de obras de arte como se estivesses cumprindo uma penitência. Afinal, o Louvre tem nada menos do que 30 mil obras! Se você não encontrar ninguém pelo caminho, nem hordas de escolares ou grupos infindáveis de japoneses e chineses com respectivos guias, e conseguir a proeza de assimilar 42 obras de arte por minuto (!), levará algo como 12 horas para percorrer as galerias dos 30 mil metros quadrados de museu. Assim, é melhor ir com calma. Programe-se para ver as obras de referências (afinal, todo mundo vai perguntar se você as viu, quando voltar), e escolha alguma área de interesse para olhar com calma.

Você voltará outro."


PINSKY, Jaime. Por que gostamos de História. São Paulo: Contexto, 2003. p. 68.

Amor escarlate

"O amor, seja recém-nascido ou desperto de um sono profundo como a morte, sempre traz consigo o brilho do sol, pois enche os corações de luz até que transbordem no mundo exterior." 

A letra escarlate. Nathaniel Hawthorne. p. 199.



21 de dez de 2016

Girassóis

Balneário Gaivota, SC, 2015.

Deixo o sol bater na cara
Esqueço tudo que me faz mal
Deixo o sol bater no rosto
Que aí o desgosto se vai


(Girassóis - Cidadão Quem)


Balneário Gaivota, SC, 2015.

Balneário Gaivota, SC, 2015.

17 de dez de 2016

Entre o real e o imaginário.

"O luar, em um recinto habitual, projetando a brancura sobre o tapete e mostrando todas as figuras bordadas em detalhe — expondo as minúcias de todos os objetos, porém tão distinto da visibilidade à manhã ou à tarde —, é o meio mais propício para que um escritor de romance conheça melhor seus visitantes ilusórios. Há o pequeno cenário doméstico do apartamento; as cadeiras, cada uma com sua individualidade própria; a mesa de centro, que sustenta uma cesta, um ou dis livros e uma lamparina apagada; o sofá; a estante de livros; o quadro na parede; todos esses detalhes, vistos em tamanha completude, ficam tão espiritualizados pela luz incomum que parecem perder a substância corpórea e transformar-se em coisa do intelecto. Nada é tão pequeno ou tão prosaico que não possa sofrer esta transformação e assim adquirir dignidade. O sapatinho de uma criança; a boneca, sentada na pequena carruagem de vime; o cavalinho de pau — qualquer objeto, enfim, ou qualquer brinquedo usado durante o dia adquire uma qualidade estranha e remota, embora sua presença continue tão vívida como à luz do dia. Assim, por este motivo, o assoalho do cômodo familiar transformou-se em território neutro, situado em algum lugar entre o mundo real e o reino das fadas, onde o Real e o Imaginário podem se encontrar, e cada um imbuir-se da natureza do outro."

A letra escarlate. Nathaniel Hawthorne. p. 40.

15 de dez de 2016

Pode ser que vivesse uma vida mais real em seus pensamentos.

"Ele parecia distante, embora o víssemos a poucos metros de nós; remoto, embora passássemos logo atrás de sua cadeira; inalcançável, embora pudéssemos ter estendido a mão e tocado em seus dedos. Pode ser que vivesse uma vida mais real em seus pensamentos do que no ambiente impróprio do escritório do coletor." 

A letra escarlate. Nathaniel Hawthorne. p. 27.

Do pó pelo pó.

"E aqui seus descendentes nasceram e morreram e misturaram a matéria terrena de que são feitos ao solo; a tal ponto que uma parte considerável do chão deve necessariamente ter algum parentesco com o invólucro mortal com que, por um instante fugaz, percorro as ruas."

A letra escarlate. Nathaniel Hawthorne. p. 13


"I CELEBRATE myself, and sing myself,
And what I assume you shall assume,
For every atom belonging to me as good belongs to you.


I loafe and invite my soul,
I lean and loafe at my ease observing a spear of summer grass.


My tongue, every atom of my blood, form'd from this soil,
     this air,
Born here of parents born here from parents the same, and
     their parents the same,
I, now thirty-seven years old in perfect health begin,
Hoping to cease not till death."


Trecho do poema Song of Myself. Walt Whitman.

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A medida de amar é amar sem medida.

(Números - Engenheiros do Hawaii)

14 de dez de 2016

Receita: Batata Suiça ou Batata Rosti

Bonne nuit!

Primeiramente, gostaria de dizer que estou com fome e que esse deve ser o motivo para estar fazendo essa postagem agora.

Em segundo lugar, quero dizer a vocês, homo famintus, que essa receita é muito boa! Tipo, muuuuuito boa mesmo! Eu adoro! (e até hoje só comi as que eu mesma fiz, outras pessoas devem fazer melhor e aí deve ser mais gostoso ainda!). BUT but but but, dá um pouquinho de trabalho. Pelo menos se você, assim como eu, não tem os materiais certos e faz tudo no improviso. Já se você for como o cara do vídeo no fim desta postagem, vai conseguir fazer mais rápido e facilmente. De qualquer maneira, vale a pena!

Essa receita eu vi há muito tempo no site MANGA COM PIMENTA, que eu super indico sempre.



Ingredientes

250 gramas de batata médias 
Manteiga ou óleo para untar
Sal a gosto

Recheio

Carne moída
Presunto
Queijo
Temperos

* você pode fazer o recheio que quiser (bacon, frango, calabresa, palmito etc.), eu fiz assim.


Modo de preparo


Leve as batatas para cozinhar em uma panela com água e quando começar a ferver, marque 7 minutos e retire as batatas do fogo.
Retire a água quente e coloque as batatas em uma tigela com água gelada (se possível, coloque gelo), para dar um choque térmico.
Passe as batatas no ralador grosso e reserve.
Unte uma frigideira e coloque um punhado de batata ralada na mesma, cobrindo o fundo da frigideira.
Coloque o recheio cobrindo a batata, porém, deixando as bordas livres.
Pegue outro punhado de batata ralada e cubra o recheio, fechando bem as bordas que ficaram livre.
Leve ao fogo médio, por 3 minutos.
Se você tiver duas frigideiras do mesmo tamanho, use-as para virar e deixe cozinhando por 3 minutos o outro lado. Não esqueça de passar manteiga na outra frigideira.
Caso você não tenha uma frigideira, use um prato raso, para virar a batata.
Repita o processo até dourar a batata.
Dica: quando for manusear as batatas raladas, umedeça as mãos na água com sal, facilita no manuseio e salga ao mesmo tempo.

PS: Eu não tenho duas frigideiras do mesmo tamanho e elas não são antiaderentes, mas arrisquei mesmo assim. Por isso, algumas batatas saíram perfeitas (como a das fotos) e outras nem tanto.

Aconselho a ver um vídeo para entender melhor. Bon appétit!




7 de dez de 2016

Ijuí em aquarela: os pequenos prazeres.

Bonjour!

Para continuar a série de desenhos com aquarela e nanquim de Ijuí e seus pequenos tesouros, fiz mais estes dois. Porém, agora desenhei sobre os pequenos prazeres que a cidade me proporciona (ao melhor estilo Amélie Poulain de ser). 

Como eu estou colocando os nomes das ruas e bairros nos desenhos, e, também, porque "brinquei" na outra postagem que existiam 83.089 mapas mentais de Ijuí... Tive a ideia de desenhar um mapa da cidade, de forma artística, destacando os pontos dos desenhos. Isso vai dar um muito muito trabalho, but como eu gostei da ideia, agora vou ter que fazer. (who cares?)

:)



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(Baby, we both know)
That the nights were mainly made
For saying things that you can’t say tomorrow day.

(Do I wanna know? - Arctic Monkeys)

1 de dez de 2016

Mundo da lua


Italo Calvino
 O castelo dos destinos cruzados

História de Astolfo na lua


— É aos céus que tu
deves subir, Astolfo — (o
arcano angélico do Juízo
indicava uma ascensão sobrehumana)
—, aos campos
lívidos da Lua, onde um
interminável depósito conserva
dentro de ampolas enfileiradas
— (como na carta de Copas)
— as histórias que os homens
não viveram, os pensamentos
que bateram uma vez aos
portais da consciência e se
desvaneceram para sempre, as
partículas do possível
descartadas no jogo das
combinações, as soluções às
quais se poderia chegar e não
se chega...

p. 56
...
Depois vinha A Roda da
Fortuna, exatamente no ponto
em que esperávamos uma
descrição mais particularizada
do mundo da Lua, que nos
permitisse dar livre curso às
velhas fantasias sobre aquele
mundo ao revés, em que o
asno é rei, o homem é
quadrúpede, as crianças
dirigem os anciãos, os
sonâmbulos governam o timão,
os cidadãos volteiam como
esquilos nas rodas de suas
gaiolas, e quantos outros
paradoxos a imaginação pode
decompor e recompor.
Astolfo havia subido à
procura da Razão no mundo do
gratuito, ele próprio um
Cavaleiro do Gratuito. Que
juízo tirar, para norma da
Terra, dessa Lua de delírio dos
poetas? O cavaleiro tentou fazer
essa pergunta ao primeiro
habitante que encontrou na Lua:
ao personagem retratado no
arcano número um, O Mago,
nome e imagem de significado
controverso que aqui, no
entanto, podia compreender-se
— pelo cálamo que traz à mão
— como sendo um poeta.
Nos pálidos campos da
Lua, Astolfo encontra o poeta,
aplicado em interpolar em sua
trama as rimas de uma oitava,
os fios dos enredos, as razões e
as desrazões. E, se ele habita
bem no meio da Lua — ou é
por ela habitado, como de seu
núcleo mais profundo —, nos
dirá se é verdade que ela
contém o rimário universal das
palavras e das coisas, se ela é
um mundo pleno de sentido, o
oposto da Terra insensata.
— Não, a Lua é um
deserto — essa era a resposta
do poeta, a julgar pela última
carta baixada à mesa: a calva
circunferência do Ás de Ouros
—, desta esfera árida partem
todos os discursos e poemas; e
todas as viagens através de
florestas batalhas tesouros
banquetes alcovas nos trazem
de volta para cá: o centro de
um horizonte vazio.

p. 57/58