30 de nov de 2016

Como não sofrer no inferno dos vivos (segundo Marco Polo)


Italo Calvino. As cidades invisíveis. Último parágrafo da última página.

O castelo dos destinos cruzados


Italo Calvino
 O castelo dos destinos cruzados

História de Rolando louco de amor e História de Astolfo na lua

— Não entres! Por que
abandonas os metálicos campos
de guerra, reino do descontínuo
e do distinto, as congeniais
carnificinas nas quais excele o
teu talento para tudo decompor
e destruir, e te aventuras na
verde natura mucilaginosa, nos
espirais da continuidade viva? O
bosque do amor não é lugar
para ti, Rolando! Estás seguindo
um inimigo contra as insídias
de quem não há escudo que te
possa proteger. Esquece-te de
Angélica! Volta!

 p. 46.

Para onde haviam fugido
os amantes? Para onde quer que
tivessem ido, a substância de
que foram feitos era por
demais tênue e fugaz para
servir de presa às manoplas de
ferro do paladino. Quando não
tinha mais dúvidas quanto ao
fim de suas esperanças,
Rolando fez alguns movimentos
desordenados — desembainhou
a espada, aplicou as esporas,
ergueu-se nos estribos —,
depois algo dentro dele se
rompeu, explodiu, acendeu e
fundiu-se, e instantaneamente
apagou-se-lhe o lume do
intelecto e ele mergulhou na
escuridão.

p. 47
(Tu sabes
decerto, Astolfo, que o príncipe
dos nossos paladinos, Rolando,
nosso sobrinho, perdeu o lume
que distingue o homem e a
besta sensata das bestas e dos
homens sem siso, e agora
possesso corre os bosques,
coberto de plumas de pássaros,
só respondendo ao pipilo dos
voláteis qual se outra linguagem
mais não conhecesse. E mal
menor seria se o tivesse
reduzido a esse estado algum
zelo intempestivo de penitência
cristã, a humilhação de si
mesmo, as macerações do
corpo e o castigo do orgulho da
mente, pois que em tal caso o
dano poderia de certo modo
ser contrabalançado por uma
vantagem espiritual, ou seria
em todo caso um fato de que
poderíamos não digo nos
orgulhar, mas falar dele à roda
sem ter pejo, quiçá apenas
abanando um pouco a cabeça;
mas a desgraça é que foi
levado à loucura por Eros, deus
pagão, que quanto mais
reprimido mais devasta...)

p. 55

28 de nov de 2016

99 Red Balloons

Escutei essa música em um vídeo da Eh Bee Family e gostei muito. É bem anos 80. Quando ouvi fiquei com a impressão de já ter escutado ela antes, mas creio que isso nunca aconteceu de verdade. Certa vez, um personagem falou em um filme (Crazy Heart, talvez), que música boa, quando a gente ouve pela primeira vez, parece que já conhecia antes. Acho que isso acontece mesmo. Essa canção é de uma cantora chamada Nena e tem uma versão em alemão (99 luftballons). 


 

27 de nov de 2016

Bonjour, Paris!

Olá, 
na Black Friday comprei um livro de colorir da L&PM, com o tema Paris, por apenas R$ 3,00. O livro contém cem páginas de ilustrações e frases sobre a cidade. Gostei muito! (e ainda não sei se vou colorir.)

 





 


25 de nov de 2016

Ijuí em aquarela: os pequenos tesouros.

Depois que li Italo Calvino descobri a beleza das cidades invisíveis. O autor não cita Ijuí em seu livro, mas tomo a liberdade de dizer que existem pelo menos 83.089 Ijuís invisíveis dentro dos limites deste espaço de planeta que se convencionou chamar de terra das culturas diversificadas, cujos pequenos tesouros estão registrados no mapa mental de cada habitante. Embora sejam bem conhecidas suas especificidades geográficas, diz-se que ainda não há especialista em cartografia capaz de juntar os 83.089 mapas em um só, organizando as ruas, as rotas e os pontos turísticos. Mas parece que o prefeito está contratando. E quando o mapa ficar pronto, a cidade vai pra frente. Até cinema vai ter. Ouvi dizer. 

Aquarelas inspiradas pela Ijuí que eu consigo enxergar:

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos". (Le Petit Prince)




18 de nov de 2016

Léolo Lozone!

"Desde que tive aquele sonho, passei a exigir ser chamado Léolo Lozone. Ninguém tem o direito de dizer que não sou italiano. A Itália é bela demais para ser somente dos italianos. Do meu quarto até a Sicília são 6.889 quilômetros. Do meu quarto até o de Bianca, são 5,8 metros. Ainda assim, ela está mais distante de mim."

Trecho do filme Léolo (1992)

Um carrossel em Paris

Bonne nuit, passants!

Músicas em francês, românticas e da trilha sonora de "O fabuloso destino de Amélie Poulain" (só falo disso essa semana) estão em alta na minha vida, pois adicionei a minha lista de sonhos:

andar em um carrossel em Paris ao anoitecer de um dia bom.


1. La Valse des Vieux Os Yann Tiersen





2. L'Autre Valse d'Amélie Yann Tiersen
3. La Valse d'Amélie  Yann Tiersen
4. La Vie en Rose - Louis Armstrong
5. Quelqu'un m'a dit - Carla Bruni



6. Je Veux - Zaz




8.Si tu n'étais pas là - Fréhel 
9. Non, Je ne regrette rienEdith Piaf 
10.Aula de francês - Tiê

Miroslaw Scheib 

P.S.: Só não há Damien Saez () nesta lista, pois a maioria das músicas foi excluída do Youtube por causa de direitos autorais.

12 de nov de 2016

La Valse d'Amélie

Hoje eu assisti, novamente, ao filme O fabuloso destino de Amélie Poulain. Ele possui a medida certa entre humor e drama, e faz você se sentir melhor e querer ver a vida de maneira diferente. O enredo, a fotografia e a trilha sonora são excelentes. Esta música  - La valse d'Amélie - é muito bonita, combina comigo e é exatamente o tipo de música que eu precisava ouvir hoje.

A garota de Renoir

O fabuloso destino de Amélie Poulain

Luncheon of the Boating Party - Pierre-Auguste Renoir

11 de nov de 2016

.

Back into your arms because I just can't be
Anything outside of them
Reinvaginated just to rewind
Back to the time I had a future I could see

Now I find that days slip through in loneliness
Now I see it doesn't help to understand
How the pain became world-sized
How I realized
That life is losing friends

Try to see through these sheets of shit poetry
And see what there is left
See, I'm sad 'cause I'alone in this world and
Writing doesn't seem to help
...

yoñlu

8 de nov de 2016

Teologia/2

"O deus dos cristãos, Deus da minha infância, não faz amor. Talvez o único deus que não fez amor, entre todos os deuses de todas as religiões da história humana. Cada vez que penso nisso, sinto pena dele. E então o perdoo por ter sido meu superpai castigador, chefe de polícia do universo, e penso que afinal Deus também foi meu amigo naqueles velhos tempos, quando eu acreditava Nele e acreditava que Ele acreditava em mim. Então preparo a orelha, na hora dos rumores mágicos, entre o pôr do sol e o nascer subir da noite, e acho que escuto suas melancólicas confidências."

Eduardo Galeano. O livro dos abraços. p. 87.

A ventania

"Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara."

Eduardo Galeano. O livro dos abraços. p. 270.

O mundo

"Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir ao céus.
Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
O mundo é isso — revelou. — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo."

Eduardo Galeano. O livro dos abraços. p. 13

Os pequenos valores

Um dia ou uma noite você percebe que:

a) felicidade é poder compartilhar o que você gosta com quem você ama;
b) existem pequenos valores que só fazem sentido para você e talvez para mais algumas poucas pessoas e quando você encontra uma dessas pessoas é bom.

O valor de pequenas coisas como: tererê filosófico, gelo e limão no refrigerante, comida feita em panela de ferro, chimarrão de manhã, caminhar a toa pela cidade, casas antigas, um bom vinho, um sorvete no domingo, sexo com amor, leituras compartilhadas, fazer montagens aleatórias no paint, nunca perder a oportunidade para um trocadilho ou piada.

6 de nov de 2016

Vaidade é virtude? | Leandro Karnal

Leandro Karnal provoca, faz pensar, desconforta. 

Entre os sete pecados capitais, este é o que acho mais interessante, pois penso ser muito difícil não cair na vaidade. Transito entre auto-estima baixa e vaidade, humildade e vaidade, vaidade disfarçada de humildade* etc. Tenho medo de fazer o bem por vaidade**, pois acredito que este deve ser o mais anônimo possível. E tenho medo de que minha crença nisso seja apenas para querer me sentir com superioridade moral, o que seria vaidade. Aff, eu vou enlouquecer. Tenho que ler mais sobre o assunto ou conversar com alguém para esclarecer as ideias. No fundo é tudo, somente, vaidade? Deixe seu comentário. Abraço!



Hiperlinks mentais:

(*) overdose homeopática
ode ao que se fode
humildade
(com "H" maiúsculo e dourado)
...
bacanal cristão
fanatismo indeciso
fanática indecisão
em resumo:
Et cetera e tal...

(Trecho da música "Canibal vegetariano devora planta carnívora", Engenheiros do Hawaii).

(**) Guardai-vos, não façais as vossas boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis a recompensa da mão de vosso Pai, que está nos Céus. Quando, pois, dás a esmola, não faças tocar a trombeta diante de ti, como praticam os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem honrados dos homens; em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas quando dás a esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola fique escondida, e teu Pai, que vê o que fazes em segredo, te pagará. (Mateus, VI: 1-4).

2 de nov de 2016

1 Coríntios 13

1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

1 de nov de 2016

Gravura: Céu de Santo Amaro

Olá, 
fiz esta gravura inspirada pela música "Céu de Santo Amaro" de Flávio Venturini, que é uma adaptação do Arioso Cantata 156 de Johann Sebastian Bach. Ambas as músicas são muito bonitas. A letra de "Céu de Santo Amaro" é uma das minhas preferidas.

A impressão da gravura não ficou boa, tentarei fazer melhor no futuro. Abraço!