28 de out de 2016

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Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós.

(Céu de Santo Amaro | Flávio Venturini)

26 de out de 2016

Berenice

"O infortúnio é múltiplo. A infelicidade, sobre a terra, multiforme. Dominando, como o arco-íris, o amplo horizonte, seus matizes são tão variados como os desse arco e, também, nítidos, embora intimamente unidos entre si. Dominando o vasto horizonte como o arco-íris! Como é que pude obter da beleza um tipo de fealdade? Como pude conseguir, do pacto de paz, um símile de tristeza? Mas, como na ética, o mal é uma consequência do bem e, assim, na realidade, da alegria nasce a tristeza. Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as agonias que são têm a sua origem nos êxtases que poderiam ter sido."

Edgar Allan Poe. Berenice. Histórias Extraordinárias. p. 55.

São tempos difíceis para os sonhadores.

O fabuloso destino de Amélie Poulain

21 de out de 2016

Os insetos universitários & cia

Olá,

Depois do (in)sucesso de "Os animais universitários" (2014), dois anos depois chega até você, leitor, a segunda edição do ensaio fotográfico dos bichos que vivem na casa do estudante e na universidade. Desta vez, o destaque está com os insetos, especialmente com as lagartas, tendência da primavera.

Os animais e as plantas foram fotografados durante o trajeto casa-universidade, na bela sexta-feira da semana passada.

Lagartas, lagartas everywhere!


Não sei que bicho é esse, foi a primeira vez que vi. Tinha uns 6 cm. Acho que é um besouro mutante.




— Passarinho, que som é esse?





Paixão segundo São Mateus, BWV 244 | Bach

A Paixão segundo Mateus BWV 244 (em latim: Passio Domini nostri Jesu Christi secundum Evangelistam Matthaeum; em alemão: Matthäus-Passion), mais conhecida em países católicos como Paixão segundo São Mateus, é um oratório de Johann Sebastian Bach, que representa o sofrimento e a morte de Cristo segundo o Evangelho de Mateus, com libreto de Picander (Christian Friedrich Henrici). Com uma duração de mais de duas horas e meia (em algumas interpretações, mais de três horas) é a obra mais extensa do compositor. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das obras mais importantes de Bach e uma das obras-primas da música ocidental. Esta e a Paixão segundo São João são as únicas Paixões autênticas do compositor conservadas em sua totalidade. A Paixão segundo Mateus consta de duas grandes partes constituídas de 68 números, em que se alternam coros (cinco), corais, recitativos, ariosos e árias.

Fonte: Wikipédia

[Trecho]

18 de out de 2016

Descrição da beleza cotidiana

Estou sentada, sozinha, em uma cadeira de área na lavanderia do apartamento, pois só aqui pega sinal de wi-fi. Lá fora chove. Raios e trovões combinam-se em um espetáculo de som e luz. Há um forte vento que entra pela janela e balança meus cabelos e o varal de roupas acima da minha cabeça. As roupas dançam. Os grilos cantam.

Vejo beleza nisso.

(este é mais um post da madrugada.)

16 de out de 2016

Gravura: A invenção do amor


Olá, esse desenho foi feito com a técnica da gravura em matriz de isopor, imitando o processo de xilogravura (gravura em madeira). Já fazia tempo que essa historinha pipocava na minha cabeça. Kukonda é uma dessas terras imaginárias que existem de verdade pra lá de lugar nenhum. Acompanhe o processo de criação abaixo. Comente e faça uma pessoa (eu) feliz. Nem que seja para mandar eu parar de falar de amor. Abraço.

PS: Já fiz uma postagem explicando o passo-a-passo aqui. :)




{[Sá(ba)d(o)]ness}





13 de out de 2016

Sono compartilhado

[Repostando]

"O sono compartilhado era o corpo de delito do amor. (...) Tomas pensava: 'Deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (esse desejo diz respeito a uma só mulher)'."

Trecho do livro A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera.

Existe vida após abrir essa caixinha de música?

Boa noite (até para você, leitor diurno),

Estou com uma fascinação por caixinhas de música e não sei como lidar com minha existência depois que descobri o site Music Box Melodies, que oferece um programa de conversão de músicas em melodias de caixa de música. O site tem algumas de minhas músicas preferidas, como The blowers daughter, e fiquei realmente encantada. Além disso, encontrei esse gif e não consigo parar de contemplá-lo enquanto escuto as melodias. Questionei, no título, se existe vida após abrir essa caixinha de música virtual, pois fiquei num estado de suspensão ou algo parecido. Não sei explicar, mas eu já disse aqui, que música e outras artes fazem isso comigo. Aí escrevo postagens como essa, tão apaixonadamente, que quando leio em outro dia parece bobo, piegas. Lembro, então, de Fernando Pessoa:

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Talvez possa estender esse pensamento a qualquer escrita apaixonada.



Penso ser possível passar um bom tempo olhando para este casal dançando. 

Não tem relação com as caixinhas de música, mas lembrei-me da canção Nothing matters when we're dancing, do Magnetic Fields, que é linda e delicada. Ouvi-la e ver esse gif  ao mesmo tempo faz muito sentido para mim.


The blower's daughter | Damien Rice


Love you till the end | The Pogues


Liebestraum nº 3 | Liszt



Nocturne op.9 No.2 | Chopin

11 de out de 2016

All the places I will never go with you.

Ses monuments | Sea Wolf

Essa música é bonitinha, diferente e me deixa triste de um jeito confortável.

10 de out de 2016

Nemasangacasè (do idioma kukondês "ato ou efeito de abrir um livro por acaso na página 143 e encontrar um belo poema")

Encontrei minha amiga, Fernanda, por acaso na universidade. E por acaso, também, que ela abriu um livro na página 143 e começou a ler este poema de Antero de Quental. O livro estava sobre a mesa, eu iria devolvê-lo sem nem ao menos ler um parágrafo de suas 800 páginas. Nesta noite, Fernanda mudou o destino do livro, o nosso e o do blog. E, quem sabe, o seu, já que está lendo isto agora.

Incrivelmente, existe uma palavra no idioma kukondês, dialeto de um povo esquecido de uma terra já esquecida, que significa exatamente o ato ou efeito de abrir um livro por acaso na página 143 e encontrar um belo poema. Quase não acreditei, mas sim, Fernanda teve um nemasangacasè!

Então, vamos ao poema:

A Germano Meireles
Só males são reais, só dor existe:
Prazeres só os gera a fantasia;
Em nada [um] imaginar, o bem consiste,
Anda o mal em cada hora e instante e dia.

Se buscamos o que é, o que devia
Por natureza ser não nos assiste;
Se fiamos num bem, que a mente cria,
Que outro remédio há [aí] senão ser triste?

Oh! Quem tanto pudera que passasse
A vida em sonhos só. E nada vira…
Mas, no que se não vê, labor perdido!

Quem fora tão ditoso que olvidasse…
Mas nem seu mal com ele então dormira,
Que sempre o mal pior é ter nascido!

(Antero de Quental)

Ex nihilo | Frederick Hart

 "Ex Nihilo" or "Out of Nothing" represents human figures emerging out of chaos.

9 de out de 2016

Desenho: A pequena morte

Olá, pessoas!

Quando eu estava pesquisando sobre a música Liebestraum n. 3 do Liszt na Wikipédia, para fazer uma postagem aqui no blog, deparei-me com o termo pequena morte. Achei tal expressão muito poética e ela me levou a fazer este desenho. 

"O escritor francês George Bataille dizia que “o erotismo é uma afirmação da vida que se estende até a morte” e, citando Marquês de Sade, emendava dizendo que “não há melhor maneira de se familiarizar com a morte do que associá-la a uma ideia libertina”. Foi um dos principais pensadores a trabalhar a expressão popular la petite mort (a pequena morte), que designa o momento transcendente que acontece a partir do orgasmo." (Fonte: Revista Trip)







A ciência do orgasmo

"No plano fisiológico, produz-se um aumento importante do ritmo cardíaco e da tensão arterial, um eriçamento do pelo, uma dilatação dos vasos sanguíneos, que provoca subida da temperatura e um característico rubor, e uma fotofobia temporária, desencadeada pela dilatação da pupila, o que nos leva a fechar os olhos ou a pô-los em alvo. De igual modo, surgem diversas contrações musculares (além dos músculos diretamente envolvidos, como o perineu, produzem-se também movimentos semelhantes aos tiques na musculatura facial) e alterações na frequência respiratória, que alcança cerca de 30 inspirações e expirações por minuto.

Vimos o que acontece, mas ainda não sabemos o que é o orgasmo. Receio, porém, que só exista o silêncio absoluto. Ninguém o soube definir com exatidão, embora muitos o tenham tentado, obrigados a recorrer à literária metáfora. O motivo dessa dificuldade talvez resida no facto de o orgasmo em si ter duas características muito especiais: o seu caráter inquestionável (ou se tem ou não se tem um orgasmo; se existe dúvida, é porque não ocorreu) e a sua inefabilidade, isto é, não usa palavras para se exprimir.

O primeiro ponto implica uma experiência sensível, enquanto o segundo significa que, no seu território, só existe o gemido, o arquejo ou o grito, nunca a palavra. Somos, enquanto nos possui, seres dotados de entendimento, mas não de razão. Podemos compreender, mas não explicar o que compreendemos. Somos irracionais e, simultaneamente, humanos, tremendamente humanos.

A alteração de consciência que referimos anteriormente é responsável por isso. Estamos, durante o clímax, noutro plano cognitivo. Poder-se-ia dizer, entrando na metafísica, que ficamos suspensos, ou talvez tenhamos morrido, temporariamente.

Esta associação entre a morte e o orgasmo não é nova: ambas são experiências solitárias, individuais e que não se podem partilhar. Encontramo-lo nessa dualidade contraditória, mas sempre convergente, que Freud personalizou nas figuras mitológicas de Eros e Thanatos. Está também na definição poética de Georges Bataille, que lhe chamou la petite mort (“a pequena morte”), ou no verso do poeta romântico Shelley, que o descreveu como ­death which lovers love (“a morte que os amantes amam”)."

(Fonte: http://www.superinteressante.pt)

6 de out de 2016

Alfabetização científica - Neil deGrasse Tyson

"Quando você é criança, você nasce cientista. O que um cientista faz? Ele olha aquilo e diz: que coisa é essa? Deixe-me descobrir, deixe-me tocá-la, girá-la. É o que as crianças fazem. [...] Crianças estão explorando seu ambiente através da experimentação."


"Passamos um ano as ensinando a andar e falar e o resto da vida falamos para se calarem e sentarem."

[...]

"O objetivo aqui não é transformar todos em cientistas. Que mundo chato seria esse. Nós queremos artistas, músicos, romancistas, poetas. Queremos tudo issoO que importa é que estejam alfabetizados cientificamente e que mantenham essa alfabetização e essa curiosidade ao longo da vida.

As pessoas acham que alfabetização científica é ser capaz de recitar fatos. E não é isso. É parte disso, mas não é a parte principal. A parte principal é: como você olha para o mundo? Como é o mundo através de seus olhos? Se você é alfabetizado cientificamente, enxerga o mundo de forma diferente. E essa compreensão lhe dá poder." 


— Neil deGrasse Tyson