23 de fev de 2016

Sertão: é dentro da gente.

Olá! Ano passado eu fiz uma postagem falando sobre como eu estava gostando de ler o livro Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa. Agora que eu terminei, posso dizer que eu não simplesmente gostei, eu me apaixonei pelo livro. Sinceramente, eu achava que não ia encontrar outro autor que eu gostasse tanto quanto Gabriel García Marquéz, mas esse me surpreendeu. É o primeiro livro de autor brasileiro que entra para a minha lista de favoritos. 

No começo achei o livro muito grande e a leitura bem difícil, mas depois que me acostumei com a linguagem, 624 páginas pareceram pouco. Passei essa semana lembrando da história e repetindo mentalmente uma das frases do livro...

"Diadorim é a minha neblina."


"Nesta obra de Guimarães Rosa, o sertão é visto e vivido de uma maneira subjetiva e profunda, e não apenas como uma paisagem a ser descrita, ou como uma série de costumes que parecem pitorescos. Sua visão resulta de um processo de integração total entre o autor e a temática, e dessa integração a linguagem é o reflexo principal. Para contar o sertão, Guimarães Rosa utiliza-se do idioma do próprio sertão, falado por Riobaldo em sua extensa e perturbadora narrativa. Encontramos em "Grande Sertão-Veredas" dimensões universais da condição humana - o amor, a morte, o sofrimento, o ódio, a alegria - retratadas através das lembranças do jagunço em suas aventuras no sertão mítico, e de seu amor impossível por Diadorim." Fonte: Skoob


Além das citações que eu já havia postado, separei mais algumas:


“Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.” (p. 31)

“O senhor sabe: sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!” (p. 35)

“O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior.” (p. 39)

“Em Diadoriam, penso também — mas Diadorim é a minha neblina...” (p. 40)

“O amor, já de si, é algum arrependimento. Abracei Diadorim, como as asas de todos os pássaros. Pelo nome de seu pai, Joca Ramiro, eu agora matava e morria, se bem.” (p. 57)

Riobaldo e Diadorim
Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo. O inferno é um sem-fim que nem não se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo. Se eu estou falando às flautas, o senhor me corte. Meu modo é este. Nasci para não ter homem igual em meus gostos. O que eu invejo é sua instrução do senhor...” (p. 76)

“A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez dequela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Sucedido desgovernado. Assim eu acho, assim é que eu conto. O senhor é bondoso de me ouvir. Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe.” (p. 115)

“Sertão: é dentro da gente.” (p. 325)

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Deus é que me sabe. O Reinaldo era Diadorim — mas Diadorim era um sentimento meu.” (p. 327)

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” (p. 334)

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