9 de set de 2015

Desenho: "Ela é como uma boneca russa."

Olá, pessoas!
Fiz esse desenho à mão, com nanquim, e colori digitalmente utilizando o photoshop. Olhando de perto, tem alguns erros na pintura, por isso contemplem de longe, hehehe.

"Matriosca, também conhecida como boneca russa, é um brinquedo tradicional da Rússia. Constitui-se de uma série de bonecas, feitas geralmente de madeira, colocadas umas dentro das outras, da maior (exterior) até a menor (a única que não é oca)." (Wiki)

Inspirado na minha matriosca, na música Muñeca Rusa de Joan Manuel Serrat e em pensamentos sobre o eu verdadeiro e o que resta de nós sem todas essas camadas de proteção que construímos em torno da gente...




Muñeca Rusa - Joan Manuel Serrat

Dentro de ella se esconde otra, que es como ella, pero no es;
y en esa otra se oculta otra, que esconde otra a su vez.

Una se ve, la otra se adivina, la otra ya fue, la otra será,
y todas son de mentira y todas son de verdad.

Ella es la que se mira al espejo y la que en el espejo se ve.
Es lo que dice su boca y lo que ocultan sus ojos también.


Son muchas y distintas mujeres viviendo en una mujer no más.
Uno no puede querer a una sin querer a las demás.

Ella es como una Matryshka.
Ella es como una muñeca rusa...
Ella es como una muñeca...
Ella es como una...
Ella es como...
Ella es...
Ella.

Y aunque nadie sabe quién es ella, ni lo que ellos para ella son,
todos cuentan la feria según como les fue en el frontón.

Que si la oruga o la mariposa, que si la reina del ajedrez,
que si el infierno o el paraíso, que si el agua o si la sed.

Cuántos quisieran verla entregada, como la playa en la bajamar,
con sus secretos a la intemperie y sus arenas por hollar.

A mí me basta con ser para ella la misma cosa que siempre fui:
el viejo osito de felpa que abraza para dormir.




Desenho original e um começo de pintura com lápis de cor (e folha manchada de café por causa do último desenho que publiquei no blog).

Minha matriosca

4 de set de 2015

Rimas

O homem chegou em casa assustado:
- Está por toda a cidade, é uma sina: todo mundo falando com rima.
- O que? - perguntou a mulher.
- Uma compulsão, um vírus, algo no ar. Não se diz mais nada sem rimar.
- Que absurdo - disse a mulher - um vírus da rima. Ninguém é obrigado a falar o que não quer, seja homem ou mulher. Nenhuma lei... Meu Deus, peguei!
- É na rua, é em casa, é em todo lugar. Não se fala sem rimar.
- Mas é uma barbaridade, ser poeta contra a vontade!
- Concordo, é um abuso. Mas que fazer? Estou confuso.
- Só há um jeito de ser rebelar, resistir e não rimar...
- Como?
- Não falar.
- Mas como nos comunicaremos, se não com as vozes que temos?
- Escrevendo, por que não? Ninguém manda em nossa mão.
- Sei não, será que muda? E se eu escrever como o Neruda?
- Não é hora pra chilique. Pega um papel, e olha a Bic.
O homem experimenta escrever uma frase no papel. Depois recua, horrorizado.
- Estou quase tendo um ataque. Escrevi como o Bilac!
- Será uma coisa generalizada, que atingiu até a empregada?
- Vamos ver se é ou não é. Chame a Nazaré.
A mulher chama a empregada.
- Nazaré, vem aqui um minutinho?
A empregada responde da cozinha:
- Já vou indo, um instantinho. Estou fazendo ensopadinho.
O homem e a mulher se abraçam. É uma epidemia. A rima tomou conta do país. Mas por que? O homem tenta racionalizar.
- Tem que haver explicação. Um motivo, uma razão.
- Será que, de repente, tem a ver com o presidente?
- Você quer dizer o Maravilhoso...
- Que?
- ...Fernando Henrique Cardoso?
- O Cardoso, maravilhoso? Me admira você, que votou no PT!
- Você não está entendendo? Eu não sei o que eu estou dizendo!
- Calma, não se apoquente. Fale outra vez, pausadamente.
O homem faz um esforço, mas não consegue.
- Maravilhoso. Fernando. Henrique. Cardoso.
- Tente outra rima, com urgência crítica. Quem sabe horroroso, por uma questão de coerência política?
- Não consigo, não vê? Tente você.
- O ...
- Sim?
- Esplendoro...
- Não!
- Fernando Henrique Cardoso.
- Já vi, é uma perfídia. Tudo culpa da mídia. Nós não estamos enfeitiçados, estamos é condicionados.
- Há uma rima oficial no país. Ninguém mais controla o que diz.
- Quem variar é exótico, até impatriótico.
- Paciência, relaxemos. Isto passa, esperemos.
- Eu até diria assim: rima melhor quem rima no fim.
Aparece a Nazaré na porta da cozinha.
- A senhora chamou? Aqui estou.
- Nada, nada, Nazaré. O ensopadinho, de que é?
- De vitela cortadinha. Batata, vagem e cebolinha.
- Parece uma beleza. Pode botar na mesa.

Luis Fernando Verissimo

2 de set de 2015

Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. 


Manuel Bandeira

1 de set de 2015

Desenho: O aroma da tua pele cor de café.

Olá seres humanos,
Hoje está chovendo e tem greve na escola onde eu "trabalho" como bolsista, portanto eu pude ficar em casa tomando um belo café e curtindo o som da chuva. Porém, eu sou dessas pessoas que não se contentam em somente beber o café, mas querem desenhar com ele também. Sendo assim, fiz esse desenho na tarde de hoje:

Um desenho sobre café, feito com café, enquanto eu bebia café.

(ficou estranho, eu sei.)