20 de ago de 2015

Da janela do meu quarto a liberdade é um bater de asas.

Escrevo em prosa porque os versos não me pertencem, estão livres por aí e não encontro jeito de capturá-los com armadilhas, gaiolas métricas, iscas, riscas e rimas. Queria, mas não consigo. E é justo sobre essa liberdade que hoje escrevo, com vistas à minha janela. A janela do meu quarto é um quadro impressionista, feito de luz e movimento. Nem Monet, nem Manet, que a natureza também é artista. Ela desenha pinceladas que voam no ar, canta a música do amanhecer e escreve versos que pousam nas linhas dos postes de luz. Por outro lado, meu quarto é minha clausura. Escura, segura, íntima clausura. Por viver em uma casa de estudantes, meu quarto é que é meu lar. E já não tenho mais um quarto na casa dos meus pais. Tudo que tenho está aqui. 12m² de lar. Só nele há privacidade para estudar em paz, chorar rios de lágrimas ou dançar freneticamente. Quando estou em casa, passo quase todo tempo aqui. Por vezes, então, depois de passar tanto tempo no quarto sinto-me numa prisão, mas, ao mesmo tempo, essa prisão é o único espaço pessoal que possuo para exercer um certo tipo de liberdade. Quero dizer, coisas simples sabe? Escutar música, decorar do meu jeito, escolher se a luz vai ficar ligada ou desligada, andar pelada, que seja! Pensando bem... Espaço pessoal? Irônico dizer isso com tantas placas de controle patrimonial da universidade pregadas nos móveis... E é por isso que a janela do meu quarto, pela qual vejo tanta natureza, mas também vejo lixo, é especial. Por isso faço essa postagem com fotografias tiradas através de minha janela. E surpreendo-me! São todas de pássaros! Agora compreendo: os pássaros vêm aqui para lembrar-me de sair, de vez em quando, para voar lá fora, e, ao mesmo tempo, para eles próprios poderem contemplar uma pintura, neste caso, humana. Agora está claro:

A janela do meu quarto é um retrato de liberdade.

De fora pra dentro. E de dentro pra fora.









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