6 de jul de 2014

Crônica sobre como a vida pode ser dura e uma nega maluca também.

Desde pequena, sempre me disseram que a vida era dura, mas o que nunca me falaram é que uma nega maluca também poderia ser. E, assim, mergulhada em um mundo de sonhos, expectativas e esperanças, estava eu, com a colher em uma mão e o pacote de farinha na outra. A princípio, estava tudo bem. Eu possuía todos os ingredientes, o fermento não estava passado da validade (como de costume), havia achocolatado da marca Nescau e não de uma marca de pobre (como de costume), os ovos estavam saudáveis (certamente dariam belos pintinhos, mas eu não sou vegetariana e, como já disse, a vida é dura!). Porém, a coisa começou a desandar.

O primeiro sinal de que tudo daria errado foi quando eu esqueci a nega maluca no forno, por mais de meia hora, é claro. Por milagre não queimou. Percebi que estava meio dura, mas ignorei, fingindo para mim mesma que estava tudo bem e que as coisas não poderiam acabar daquele jeito. Parti para a cobertura.

Cobertura: alterei um pouco a receita da internet porque, vamos combinar, SETE colheres de Nescau é uma OSTENTAÇÃO! Só pode que o sujeito que criou a receita era filho do dono da Nestlé! Só assim pra pensar que Nescau dá em árvore! 

E esse foi o meu segundo erro.

Por não seguir a receita, a coisa não ficava dura nunca! Era um mexe-mexe pra lá, um mexe-mexe pra cá, e a coisa foi esquentando, esquentando, esquentando... E nada. Porém, eu não iria desistir tão fácil. Continuei mexendo a colher até a morte e, finalmente, a cobertura ficou consistente. Só que demais. E esse foi o meu terceiro erro. 

Você já ouviu falar que o diamante é o material mais duro da natureza, correto? Pois esqueça toda essa baboseira. A minha cobertura de bolo faz diamante parecer gelatina. Ela ficou tão dura, mas tão dura, que eu a despejei em cima do bolo e ela petrificou instantaneamente. Não deu nem tempo de espalhar para o resto do bolo.

 "Então tá, sua nega maluca dos inferno, se é assim que tu qué, é assim que vai ser!".

Em seguida, quando fui colocar os granulados por cima, eles bateram na crosta de cobertura e num salto mortal triplo carpado voaram para fora da forma. Inclusive, diz a lenda, que o salto foi tão grande que até hoje os granulados ainda estão voando e, na primavera, quando o céu está escuro, é possível vê-los dançando ao lado das estrelas. 

Ao final de tudo, quando fui cortar o bolo a fim de experimentar um delicioso pedaço de tijolo sabor chocolate, eu... 1. Cortei o pedaço... 2. Coloquei a espátula embaixo dele... 3. Levantei com cuidado... 4. E a p*rra do pedaço voou longe e caiu no chão! AAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRGGGGGGGGGGHHHHHHHH!

Eu só queria que meu bolo ficasse tão bom quanto o da Lu. #buááá (lágrimas!)

Mas nem tudo está perdido, ó, meus irmãos! O bolo pode até estar incomível agora, porém, não o desmereçam por isso, afinal de contas, eu acredito, verdadeiramente, que tudo nessa vida tem uma serventia. E o meu pedaço de bolo (o meu lindo, saboroso, cheiroso e completamente duro pedaço de bolo), ainda vai ser mais importante que você e eu.

Daqui a um milhão de anos, quando os extraterrestres e as baratas dominarem a Terra, caso os ETzinhos resolvam montar um museu da história humana, lá vai estar ele. Afinal, são os artefatos petrificados os que mais resistem ao tempo, sendo assim, já posso até imaginar uma vitrine do museu: um osso petrificado, uma pegada petrificada, alguma coisa de madeira petrificada e, ao lado, o meu bolo. 

Imagem meramente ilustrativa.

2 comentários:

Gugu Keller disse...

Talvez, pelo valor arqueológico, seja extremamente cobiçado...
GK

Gugu Keller disse...
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