28 de fev de 2014

Janela sobre uma mulher.

A outra chave não gira na porta da rua.
A outra voz, cômica, desafinada, não canta no chuveiro.
No chão do banheiro não há marcas de outros pés molhados.
Nenhum cheiro quente vem da cozinha.
Uma maçã meio comida, marcada por outros dentes, começa a apodrecer em cima da mesa.
Um cigarro meio fumado, lagarta de cinza morta, tinge a beira do cinzeiro.
Penso que deveria fazer a barba. Penso que deveria me vestir.
Penso que deveria.
Uma água suja chove dentro de mim.

Eduardo Galeano. As Palavras Andantes. 4ª edição. Página 249.

12 de fev de 2014

Janela sobre as ditaduras invisíveis.

A mãe abnegada exerce a ditadura da servidão.
O amigo solícito exerce a ditadura do favor.
A caridade exerce a ditadura da dívida.
A liberdade de mercado permite que você aceite os preços que lhe são impostos.
A liberdade de opinião permite que você escute aqueles que opinam em seu nome.
A liberdade de eleição permite que você escolha o molho com o qual será devorado.

Eduardo Galeano. As Palavras Andantes. 4ª edição. Página 61.

5 de fev de 2014

Galeano: Janela sobre as proibições.

Na parede de um botequim em Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar.
Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem.
Ou seja: ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.

Eduardo Galeano. As Palavras Andantes. 4ª edição. Página 76.

4 de fev de 2014

Acampamento da Schaine

Olá.
No último fim de semana, Maurício e eu viajamos de moto de Ijuí a Crissiumal (RS), para, em seguida, nos deslocarmos com alguns amigos à cidade de Humaitá, onde Schaine nos aguardava para montar acampamento. No total foram cerca de 320 km rodados numa Honda CG125, com uma mochila nas costas que pesava mais que eu, inclusive debaixo de chuva (ainda bem que encontramos uma parada de ônibus para nos abrigar). O acampamento estava muito legal, mas hoje virei um zumbi no trabalho. Fiz coisas inéditas, tipo descer o rio de boia (quatro vezes seguidas: duas eu queria, uma o Maurício me obrigou e a outra a gente não conseguiu parar e o rio nos levou). Espero que o acampamento se repita mais uma vez no próximo ano. Confira algumas fotos:


Rio Lajeado Grande

"Balneário do Zé, um coração pra cada muié."

Maurício e eu descendo o rio em uma câmara de trator enchida via pulmão de Pablo Pavan, vulgo bicho preguiça.

E lá vamos nós de novo...

O assador. (haha)

Sandra, Schaine e eu.