2 de abr de 2013

Qual é o tipo de espaço que separa o homem de seus semelhantes?


Às vezes eu sentia que qualquer objeto natural podia oferecer a mais suave e meiga, a mais inocente e animadora companhia, mesmo ao misantropo pobre e ao mais melancólico dos homens. Não há como existir nenhuma negra melancolia para quem vive entre a Natureza e tem serenidade dos sentidos. Jamais existiu temporal algum que não fosse uma música eólica a ouvidos sadios e inocentes. Nada consegue impelir honestamente um homem simples e bravo a uma tristeza vulgar. Enquanto desfruto a amizade das estações, sinto que nada conseguirá fazer da vida um fardo para mim. (...) Muitas vezes me dizem: "Imagino que você se sentia solitário lá embaixo, e queria estar mais perto das pessoas, principalmente nos dias e noites de chuva e neve". Fico com vontade de responder: Esta terra inteira que habitamos é apenas um ponto no espaço. A que distância você acha que moram os dois habitantes mais afastados daquela estrela acolá, cujo diâmetro nossos instrumentos não conseguem calcular? Por que eu me sentiria sozinho? Nosso planeta não fica na Via Láctea? O que você está me colocando não me parece a questão mais importante. Qual é o tipo de espaço que separa o homem de seus semelhantes e o torna solitário? Descobri que nem o maior esforço das pernas consegue aproximar dois espíritos.

Henry David Thoreau (1817-1862) em Walden ou A Vida Nos Bosques

Um comentário:

Yasmin Baltazar disse...

Este texto é maravilhoso, quando eu leio algum livro, escuto uma musica tento encontrar um pouco de mim mesma.
Esse texto sem duvida eu me encontrei nele literalmente.
Tem uma TAG pra você lá no blog.
Bj