22 de mar de 2013

O diagnóstico e a terapêutica.

O amor é uma das doenças mais bravas e contagiosas. Qualquer um reconhece os doentes dessa doença. Fundas olheiras delatam que jamais dormimos, despertos noite após noite pelos abraços, ou pela ausência de abraços, e padecemos febres devastadoras e sentimos uma irresistível necessidade de dizer estupidezes. 

O amor pode ser provocado deixando cair um punhadinho de pó-de-me-ame, como por descuido no café ou na sopa ou na bebida. Pode ser provocado, mas não pode impedir. Não o impede nem a água benta, nem o pó de hóstia; tampouco o de alho , que nesse caso não serve pra nada. O amor é surdo frente ao Verbo divino a ao esconjuro das bruxas. Não há decreto de governo que possa com ele, nem poção capaz de evitá-lo, embora as vivandeiras apregoem, nos mercados, infalíveis beberagens com garantia e tudo.

O Livros dos Abraços. Eduardo Galeano. Ed. L&PM, 2005. Página 91.



2 comentários:

Luis Fernando disse...

"Não há decreto de governo que possa com ele" me fez lembrar dessa imagem.

http://www.materiaincognita.com.br/wp-content/uploads/2011/06/O-Beijo-casal-deitado-na-rua.jpg

A foto foi tirada durante um confronto entre torcedores de um time de hóquei do Canadá e a polícia.

Mariane Bach disse...

Bem legal essa foto, não conhecia.