31 de mar de 2013

A Situação do Trabalho nos Frigoríficos

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, com destaque para a indústria de carnes. Em 2011 os frigoríficos exportaram 15,64 bilhões de dólares e as carnes brasileiras chegaram a 150 países do mundo, gerando cerca de 750 mil postos de trabalho em todo o país. No entanto, há uma parte dessa história que nem sempre é contada.

Provavelmente, quem compra uma picanha, uma linguiça ou um filé de frango no supermercado não imagina que, por trás do pacote bem embalado, existam histórias de milhares de trabalhadores que adoecem e se lesionam gravemente todos os dias nas linhas de abate de bovinos, suínos e aves.

Quem trabalha em um frigorífico enfrenta diariamente uma série de situações prejudiciais à saúde: graves acidentes com facas, serras e outros instrumentos cortantes, doenças causadas por movimentos repetitivos e pela exposição constante ao frio, pressão psicológica para dar conta do alucinado ritmo de produção e jornadas exaustivas.

A legislação trabalhista do Brasil prevê uma série de medidas que, se devidamente aplicadas, contribuiriam para a proteção da saúde dos empregados do setor de frigoríficos. Para se ter uma ideia, o artigo 253 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por exemplo, ordena a realização de intervalos de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho para amenizar os efeitos do frio. São as chamadas “pausas para recuperação térmica”. O problema é que as empresas nem sempre cumprem essa determinação, priorizando a alta produtividade e o lucro.


Quem comanda o negócio das carnes no Brasil?

De cada 10 dólares que todos os frigoríficos brasileiros faturam com a exportação de carnes para países estrangeiros, pelo menos 8 dólares vão para a conta de apenas três deles: JBS, Marfrig e Brasil Foods. Até 2020, o governo brasileiro espera que quase metade do comércio mundial de carnes seja dominado por nossas empresas. E essas três serão as maiores beneficiadas. Apesar de todo esse poderio econômico, elas também têm uma série de problemas em suas unidades industriais espalhadas pelo país.



Alguns casos:


Marfrig Group (inclui marcas como a Seara)

Por não suportarem o frio intenso da sala de cortes do frigorífico, nove funcionários da Seara (empresa do Grupo Marfrig) do município de Forquilhinha (SC) não viram alternativa a não ser deixar temporariamente o local.

Por essa razão, foram demitidos, em 2006. Logo após esse fato, o Ministério Público do Trabalho (MPT) iniciou uma investigação sobre as condições de trabalho no frigorífico e entrou com um processo na Justiça contra a empresa.

Em 2011, atendendo a alguns pedidos contidos na ação, a Justiça determinou que a Seara concedesse pausas de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho para atenuar os efeitos do frio e possibilitar a “recuperação térmica” dos empregados.

A sentença judicial também atendeu a outra reclamação curiosa: o frigorífico foi obrigado a liberar a ida ao banheiro de seus empregados, sem a necessidade de avisar previamente a um superior. Na ação, o MPT acusava a Seara de conceder apenas dois intervalos de oito minutos, ao longo de um dia inteiro de trabalho, para que os empregados pudessem satisfazer suas necessidades fisiológicas.
Além disso, a Justiça determinou ainda que a empresa pagasse uma indenização de R$ 14,6 milhões por danos morais coletivos causados pela Seara de Forquilhinha. A empresa está recorrendo da decisão e garante que está cumprindo todas as exigências legais.


BR Foods (Perdigão + Sadia)

Até 2011, a direção da planta industrial no município de Rio Verde (GO) proibia os homens que trabalhavam no incubatório – setor em que ficam armazenados os ovos que dão origem às aves – de usarem cuecas. Essa estranha regra foi adotada para supostamente evitar uma contaminação do setor. Mas o curioso é que a regra só valia para os homens. As mulheres, por não conseguirem conter o fluxo menstrual, eram autorizadas a usar calcinhas.

O problema só foi resolvido em abril de 2011, quando o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com um processo na Justiça contra a Brasil Foods, por entender que a proibição violava a intimidade e a dignidade dos trabalhadores do sexo masculino. Na ação, o órgão federal exigia o pagamento de uma indenização de R$ 630 mil por danos morais coletivos. O problema foi resolvido em junho de 2011. Depois de firmar um acordo com o MPT, a empresa passou a permitir que os empregados homens também vestissem roupas íntimas.

Além de expor seus empregados a situações constrangedoras, o frigorífico de Rio Verde também gerava um número impressionante de trabalhadores lesionados e adoentados. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, 90 mil pedidos de afastamento foram registrados entre janeiro de 2009 e setembro de 2011. Praticamente, é como se a cada 10 meses todos os 8 mil empregados da unidade da Brasil Foods de Rio Verde tivessem que se ausentar por problemas de saúde relacionados ao trabalho. Os afastamentos por distúrbios osteomusculares (os chamados DORT, como tendinites e bursites) foram os mais recorrentes: a média é de impressionantes 28 atestados por dia e de 842 por mês.


JBS

A unidade de Barretos (SP) da JBS tem cerca de 1.850 empregados. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), que em julho de 2011 inspecionou o frigorífico, foram registrados 496 afastamentos temporários (aqueles com menos de 15 dias) de trabalhadores por problemas físicos e psíquicos no primeiro semestre daquele ano.

Ainda de acordo com o órgão federal, 14% dos empregados estão permanentemente afastados do trabalho devido a acidentes – e sobrevivem graças ao benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Se nada for feito para alterar a organização do trabalho na unidade de Barretos, o MPT projeta que, em dois anos, cada funcionário se afastará em média sete vezes do serviço; que 100% dos funcionários enfrentarão problemas osteomusculares, como tendinites e bursite; e que um em cada seis sofrerá algum tipo de transtorno psíquico.

Para minimizar os riscos à saúde dos funcionários da empresa, o Ministério Público do Trabalho processou a JBS para que ela conceda 20 minutos de intervalo a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho contínuo para os empregados lotados em ambientes “artificialmente refrigerados”, com temperaturas abaixo de 15ºC. O Ministério Público do Trabalho também exige uma indenização por danos morais coletivos de R$ 20 milhões. Apesar de o mérito do processo ainda não ter sido julgado, o MPT obteve já em 2012 um mandado judicial que obriga a JBS de Barretos a conceder as pausas.



Há casos de frigoríficos fiscalizados por autoridades competentes em que foram encontrados empregados que trabalhavam até 15 horas por dia, muitas vezes sem direito a folga semanal, e expostos a diversos riscos à saúde física e psicológica – como sangue de animais, instrumentos cortantes, frio excessivo e ritmo incessante de trabalho. Sob esse ponto de vista, há quem enxergue em casos desse tipo uma situação “análoga à de escravidão”.

Via de regra, o que se considera trabalho escravo nos dias de hoje é a violação da dignidade humana de um trabalhador, quando não só sua força de trabalho, mas também seu próprio corpo é tratado como mercadoria. O trabalho decente é um direito fundamental de todo ser humano.

Fonte: Caderno temático Moendo Gente - A Situação do Trabalho nos Frigoríficos, produzido pelo programa Escravo, Nem Pensar! da ONG Repórter Brasil.

Download do Caderno Temático: Moendo Gente 

Trailer do documentário Carne e Osso:

22 de mar de 2013

O diagnóstico e a terapêutica.

O amor é uma das doenças mais bravas e contagiosas. Qualquer um reconhece os doentes dessa doença. Fundas olheiras delatam que jamais dormimos, despertos noite após noite pelos abraços, ou pela ausência de abraços, e padecemos febres devastadoras e sentimos uma irresistível necessidade de dizer estupidezes. 

O amor pode ser provocado deixando cair um punhadinho de pó-de-me-ame, como por descuido no café ou na sopa ou na bebida. Pode ser provocado, mas não pode impedir. Não o impede nem a água benta, nem o pó de hóstia; tampouco o de alho , que nesse caso não serve pra nada. O amor é surdo frente ao Verbo divino a ao esconjuro das bruxas. Não há decreto de governo que possa com ele, nem poção capaz de evitá-lo, embora as vivandeiras apregoem, nos mercados, infalíveis beberagens com garantia e tudo.

O Livros dos Abraços. Eduardo Galeano. Ed. L&PM, 2005. Página 91.



21 de mar de 2013

A noite

Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho um mulher atravessada em minha garganta. 

 O Livro dos Abraços. Eduardo Galeano. Ed. L&PM, 2005. Página 90.

Quarto Mutante



Viciei em Os Mutantes:




19 de mar de 2013

Crônica de um Acidente Anunciado [ou As Aventuras do Dedo Mínimo]

No dia em que iria bater o seu mindinho contra a quina do móvel, Mariane Bach acordou as 9:30h da manhã. Era certamente um belo dia de sol, a temperatura beirava aos 20ºC. Seu irmão e sua cunhada repousavam na sala, assistindo a tudo de melhor que a televisão pode oferecer em um domingo. Sua irmã estudava em seu quarto. A localização dos progenitores na cena é desconhecida. O horário em que o "acidente" aconteceu é indefinido. Sabe-se, no entanto, que foi por volta do meio-dia. Mas se foi antes ou depois de comer churrasco e maionese poucos saberiam dizer. O que se sabe, é que Mariane saiu da cozinha em direção à sala, e no exato momento em que daria o segundo passo: pleft! Bateu com o pé, ou mais precisamente, com o dedo mindinho contra o sofá, comumente chamado de poltrona-do-papai, herança de sua avó Hedwiges. E então ela proferiu um grito de horror:

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHH!

Imediatamente após o acidente, Mariane foi pulando em um pé só até o seu quarto, deitou-se na cama e foi fazer qualquer atividade irrelevante para o caso. A princípio, a dor havia passado. Mas ninguém estava preparado para o que viria a seguir.

Uma hora depois, o dedo voltou a doer. Cinco horas depois, o dedo continuava doendo. Doze horas depois, o dedo ainda doía e começava a ganhar pigmentação característica. Um dia depois, o dedo doía pra caralho e estava roxo. 
Mariane Bach e suas conselheiras tendem a crer que o dedo está destroncado ou algo do tipo (se é que isso é possível).

A vítima (à direita da foto).

E quem é o culpado desse crime inescrupuloso? À primeira vista, vocês diriam: "É da garota, que deve ser cega, porque não viu o sofá na sua frente!". Entretanto, meus caros amigos, para que culpar Mariane, para que apedrejá-la tão facilmente, quando se pode por a culpa em outra pessoa? Mas em quem? Em quem?

- MÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃEEEEE!

A mãe de Mariane, excelentíssima rainha do Clã das Mulheres-Que-Ficam-Mudando-Os-Móveis-De-Lugar, acusada de crime doloso, foi condenada a sete anos de reclusão no quarto mais alto, da torre mais alta do castelo. Seu crime foi posicionar a poltrona exatamente a 27º sul da linha do Equador, 57º a Oeste do Meridiano de Greenwich, a uma altitude de 376 metros acima do nível do mar, ou para ser mais precisa, bem no meio do meu caminho

E apenas para refletirmos ao final dessa linda história, para que serve, afinal, o dedo mindinho? Pelo que li, parece que perdeu sua função primordial, que era de dar equilíbrio ao corpo, adquirindo outras funções, como bater contra os móveis, incomodar no sapato, saltar pra fora da sandália, enfim... Mas não percam as esperanças meus irmãos, talvez Lamarck esteja certo e em uma próxima vida nasçamos sem ele. (Ahh, mas eles são tão fofinhos! *--* Assim, meio tortinhos, mas fofinhos!). Sei que hoje em dia algumas mulheres americanas já estão amputando o mindinho, para poder usar salto alto mais confortavelmente. Bem, pelo menos foi o que eu ouvi falar. Se continuar assim, prevejo uma futura revolta dos dedos mínimos:

- Mindinhos de todos os países, uni-vos!

17 de mar de 2013

As Aventuras de Juliet #2

Olá terráqueos! Finalmente eu fiz o segundo desenho da série As Aventuras de Juliet. Como é possível perceber, ela soltou o cabelo e colocou uma roupa colorida, para fugir um pouco do visual Wednesday e criar características próprias. As fotos não estão muito boas, mas é o que tem pra hoje. O que acharam? (Principalmente a respeito da frase e tals). Comentem! 

Para ver As Aventuras de Juliet #1, clique aqui!




12 de mar de 2013

América Latina

¡Hola compañeros latinoamericanos! Através da página da revista Vírus Planetário no facebook, descobri esta bela canção da banda Calle 13, chamada Latinoamérica (inclusive com a participação da Maria Rita). Ao final do post, o clipe da música, com legendas em português. Também vale a pena conferir o vídeo da banda Calle 13 tocando essa música juntamente com a Orquestra Sinfônica Simon Bolivar


Latinoamérica

(tradução)

Eu sou ... Eu sou o que eu deixei
Estou muito bem o que foi roubado
Uma aldeia escondida no topo
Minha pele é de couro, por isso aguenta qualquer tempo
Eu sou uma fábrica de fumo
Mão de obra camponêsa, para o seu consumo
Frente fria no meio de verão
O Amor nos Tempos do Cólera, meu irmão!
Eu sou o sol que nasce e o dia que morre
Com os melhores pores do sol
Sou o desenvolvimento em carne viva
Um discurso político sem saliva
As mais belas faces que conheci
Sou a fotografia de um desaparecido
O sangue em suas veias
Sou um pedaço de terra que vale a pena
Uma cesta com feijão, eu sou Maradona contra a Inglaterra
Anotando-te dois gols
Sou o que sustenta minha bandeira
A espinha dorsal do planeta, é a minha cordilheira
Sou o que me ensinou meu pai
O que não quer sua pátria, não quer a sua mãe
Sou América Latina, um povo sem pernas, mas que caminha
Hey!


Você não pode comprar o vento
Você não pode comprar o sol
Você não pode comprar chuva
Você não pode comprar o calor

Você não pode comprar as nuvens
Você não pode comprar as cores
Você não pode comprar minha alegria
Você não pode comprar as minhas dores


Tenho os lagos, tenho os rios
Eu tenho os meus dentes pra quando eu sorrio
A neve que maquia minhas montanhas
Eu tenho o sol que me secar e a chuva que me banha
Um deserto embriagado com peyote
Uma bebida de pulque para cantar com os coiotes
Tudo...




11 de mar de 2013

Porque eu sonho, eu não sou.


"Minha mãe trouxe uma bela rosa feita de plástico, supostamente para alegrar a sala, porque uma flor é uma imagem, ou melhor, uma ideia de natureza. O vermelho escarlate está esmaecido pela poeira que o enterra mais e mais a cada dia. Se pelo menos alguém da família percebesse o quão artificial é esta flor, com sua etiqueta de "made in Hong Kong" colada sob uma pétala. E é preciso apenas um pequeno gesto meu para retirar a etiqueta, e começar a acreditar na ilusão. Mas eu me recuso a tocá-la. Não quero descansar no cemitério dos mortos vivos."

Trecho do filme Léolo (1992).

8 de mar de 2013

Deixa-me, uma última vez, berrar a minha queixa amarga.

"Mas a mim
nenhum som deixa alegre
afora o som do teu nome bem-amado.
Não vou me jogar pela janela,
não vou tomar veneno
nem apertar o gatilho contra a minha cabeça.
Para mim
não existe lâmina nem faca
a não ser o teu olhar.
Amanhã esquecerás
que te coroei,
que o amor incendiou a minha alma em flores
e o vão carnaval dos dias que se foram
vai dispersar as páginas de meu caderno...
As minhas palavras, folhas mortas,
poderão forçar-te
a parar
sem fôlego?

Ao menos deixe-me
cobrir de um último carinho
teu passo que se afasta."

[Trecho do poema "Minha Pequena Lila" de Maiakóvski]

Música Nacional

Olá bípedes. Já fazem dias que não publico algo sobre música, então hoje vou tirar o atrasado. Nos últimos tempos de minha pacata vida, tenho escutado, sobretudo, música nacional. Nessa postagem constam algumas das músicas/bandas/cantores que descobri ou me indicaram recentemente. (Todas as músicas citadas possuem um link para seu vídeo no YouTube.)

Zeca Baleiro

"Ando tão à flor da pele, que meu desejo se confunde com a vontade de não ser..."

Zeca Baleiro iniciou sua carreira em 1997, mas até esse ano eu nunca tinha ouvido falar dele. A primeira canção que conheci foi Flor da Pele, e agradou-me muito. As outras músicas dele que gostei bastante foram Bandeira, Telegrama e sua versão de Proibida Pra Mim. 


Fagner

"Num edifício sem janelas, desenhei os olhos dela, entre vestígios de bala e a luz da televisão..."

A carreira do Raimundo Fagner é de longa data, mas eu ainda não conheço muitas músicas dele, gosto de ouvir Dezembros e Revelação. A banda Engenheiros do Hawaii regravou a música Revelação, e eu prefiro essa versão em relação à original.


Landau

"Vou na boléia a vida inteira, deixando um rastro de poeira. Eu vou rodar o mundo inteiro, a minha vida não tem freio. E vou seguindo estrada à fora, apago a tristeza da memória, vou compondo a minha história de buraco e quebra mola..."

O cantor e compositor mineiro Flávio Roberto Landau está na estrada desde 1994. Tem algumas músicas boas. Gosto de Buraco e Quebra-mola.


Elis Regina

"Não quero lhe falar, meu grande amor, das coisas que aprendi nos discos..."

Bah, a Elis Regina todo mundo conhece. Por enquanto, tenho escutado unicamente Como Nossos Pais, escrita pelo Belchior. Sua interpretação é sensacional!


Sá, Rodrix e Guarabyra

"Eu vou virar a própria mesa, quero uivar numa nova alcatéia. Vou meter um Marlon Brando nas idéias e sair por aí. Prá ser Jesus numa moto, Che Guevara dos acostamentos, Bob Dylan numa antiga foto..."

Sá, Rodrix & Guarabyra são um trio musical surgido no início da década de 1970, o grupo se notabilizou pela criação do chamado rock rural, em que se mesclavam diversas influências musicais, do rock à música sertaneja (ou caipira). O que eu posso dizer é que a música Jesus Numa Moto tornou-se uma das minhas preferidas! Acho que é uma das melhores que já escutei (posso estar exagerando, mas enfim...gosto muito).


Os Mutantes

"Vá embora antes que eu chore, tenho frio! Vou trancar-me para nunca mais abrir, pro sabor dos nossos sonhos não fugir..."

Os Mutantes é uma banda brasileira de rock psicodélico formada durante o Tropicalismo no ano de 1966, em São Paulo, por Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias. Também participaram do grupo Liminha e Dinho Leme. Eu baixei a discografia inteira, mas minhas preferidas são Virginia, Desculpe Babe, Ave Lúcifer, It's Very Nice Pra Xuxu, Portugal de Navio, Vida de Cachorro e Posso Perder Minha Mãe, Minha Mulher, Desde Que Eu Tenha o Rock and Roll.

4 de mar de 2013

Maiakóvski, o poeta da revolução.

O Poeta-Operário

Grita-se ao poeta:
“Queria te ver numa fábrica!
O que? versos? Pura bobagem!
Para trabalhar não tens coragem."
Talvez ninguém como nós
ponha tanto coração
no trabalho.
Eu sou uma fábrica.
E se chaminés
me faltam
talvez
sem chaminés
seja preciso
ainda mais coragem.
Sei.
Frases vazias não agradam.
Quando serrais madeira
é para fazer lenha.
E nós que somos
senão entalhadores a esculpir
a tora da cabeça humana?
Certamente que a pesca
é coisa respeitável.
Atira-se a rede e quem sabe?
Pega-se um esturjão!
Mas o trabalho do poeta
é muito mais difícil.
Pescamos gente viva e não peixes.
Penoso é trabalhar nos altos-fornos
onde se tempera o ferro em brasa.
Mas pode alguém
acusar-nos de ociosos?
Nós polimos as almas
com a lixa do verso.
Quem vale mais:o poeta ou o técnico
que produz comodidades?
Ambos!
Os corações também são motores.
A alma é poderosa força motriz.
Somos iguais.
Camaradas dentro da massa operária.
Proletários do corpo e do espírito.
Somente unidos,
somente juntos remoçaremos o mundo,
fa-lo-emos marchar num ritmo célere.
Diante da vaga de palavras
levantemos um dique!
Mãos à obra!
O trabalho é vivo e novo!
Com os aradores vazios, fora!
Moinho com eles!
Com a água de seus discursos
que façam mover-se a mó!

Vladimir Maiakovski
(1893-1930)