28 de fev de 2013

Poema Natimorto [não sei escrever, mas escrevo.]

Quando os dias se tornam meses,
e as noites parecem não ter fim;
Quando acordo, não ao canto das aves,
mas ao som da cólera ultrapassando as paredes;
Quando os espelhos da alma revelam minha feiura,
e a solidão não encontra mais escoadouro nas multidões:
Eu quero.

Quero ser o livro que Bukowski não escreveu.
O quadro que Da Vinci não pintou.
A música que John Lennon não tocou.

Quero ser o elemento que Marie Curie não descobriu.
A teoria refutada de Ptolomeu.
A carta que Rilke não recebeu.

Quero ser  a orelha de Van Gogh.
A perna amputada da Frida Kahlo.
A cabeça de Ana Bolena nas mãos de Henrique VIII.

Quero ser o coração envenenado.
A lobotomia do cérebro.
O bebê natimorto.
Da criança, o aborto.

Quero não ser.

[Quero morrer.]

3 comentários:

Luis Fernando disse...

Se você não sabe escrever, isso aí deve ter sido uma epifania e tanto. Gostei, mocinha.

Renan Tempest disse...

Simplesmente belíssimo teu poema! Além de muito original...
Meus sinceros parabéns!

Anônimo disse...

Lindo poema "minha menina". Reflete a lágrima da tua alma.Você merece ser muito feliz... e será.