27 de jan de 2013

Desenho: A Rosa de Hiroshima

Olá! Há alguns dias publiquei aqui um poema de Vinicius de Moraes intitulado A Rosa de Hiroshima, bem como, uma música homônima da banda Secos e Molhados. A inspiração gerada em mim por essas duas obras levou-me a fazer o desenho que lhes apresento hoje.

A Rosa de Hiroshima

Ao ler o poema A Rosa Hiroshima e, em seguida, ver uma imagem da explosão da bomba nuclear, logo me pareceu que a nuvem formada pela explosão lembrava vagamente uma flor. A partir deste ponto, tive a ideia de fazer este desenho. Por fim, acrescentei mais ideias à original. Fiz o caule da rosa descendo até o chão, onde suas raízes são formadas pelos corpos das vítimas. Ou ainda, imaginem que a bomba, representada como flor e raízes, suga a vida das pessoas.

Os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki foram ataques nucleares ocorridos no final da Segunda Guerra Mundial contra o Império do Japão, realizados pela Força Aérea dos EUA na ordem do presidente americano Harry S. Truman, nos dias 6 de agosto e 9 de agosto de 1945. 

As explosões nucleares, a destruição das duas cidades e as centenas de milhares de mortos em poucos segundos, levaram o Império do Japão à rendição incondicional em 15 de agosto de 1945, com a subsequente assinatura oficial do armistício em 2 de setembro na baía de Tóquio e o fim da II Guerra Mundial.


"...A rosa de Hiroshima, a rosa hereditária. A rosa radioativa, estúpida e inválida. A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica. Sem cor sem perfume. Sem rosa sem nada..." (Vinícius de Moraes)

Enola Gay, esse foi o nome dado ao bombardeiro B-29 que lançou a bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945. Foi pilotado pelo coronel Paul Tibbets Jr., então com 30 anos, comandante do 509º Grupamento Aéreo dos Estados Unidos, que desde fevereiro de 1945 preparava-se para a missão. A fim de realizá-la, Tibbets escolheu pessoalmente um quadrimotor B-29, batizando-o com o nome Enola Gay em homenagem à sua mãe.

O bombardeio atômico arrasou com a cidade de Hiroshima, matando mais de 140.000 pessoas. Três dias depois, a segunda bomba atômica foi lançada sobre Nagasaki, onde 70.000 pessoas foram mortas.

Em ambas as cidades, durante o bombardeio, os habitantes sentiram intenso calor, numa temperatura de 4 mil graus, muitos evaporaram deixando somente a marca da sombra no chão. Edifícios ruíram e diversas famílias ficaram soterradas. As duas bombas atômicas deixaram alto nível de radioatividade no ambiente, gerando doenças como o câncer.

"Numa guerra não se matam milhares de pessoas. Mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem uma namorada. Uma acumulação de pequenas memórias..." Christian Boltanski

 Estima-se que haja milhares de ogivas nucleares em poder de Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, França, China, Paquistão, Índia, Israel e Coréia do Norte – o suficiente para destruir o mundo mais de trinta vezes e transformar o pesadelo de Hiroshima num pálido testemunho da insensatez humana.


Fontes:

26 de jan de 2013

Lógica de Goebbels Aplicada ao Amor


Eu que não amo você. [1000]
Eu que não amo você. [999]
Eu que não amo você. [998]
Eu que não amo você. [997]
Eu que não amo você. [996]


"Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade."


Eu que não amo você. [995]
Eu que não amo você. [994]
Eu que não amo você. [993] 
Eu que não amo você. [992]
Eu que não amo você. [991]
...

25 de jan de 2013

A vida toca no rádio.



Ontem à noite, voltando para casa de carro, tocava uma música no rádio, que já nos primeiros segundos prendeu minha atenção. Era bonita, calma, diferente. Logo percebi que eu nunca descobriria o nome daquela música, nem a qual banda pertencia. Era uma música digna de se tornar uma de minhas favoritas e, no entanto, tudo o que eu podia fazer era simplesmente ouví-la ali, naquele instante, pela primeira e última vez. Deste modo, fiquei em silêncio o caminho inteiro, aproveitando cada instante. De algum modo, isso me fez pensar na vida. Em como essa mesma música manifesta-se em nosso cotidiano, mas em melodias diferentes. A música são as pessoas, os gestos, os sentimentos. A música é o acordar ao lado de quem se ama. O sorriso bobo, o enlaçar de mãos, os olhares. A música é aquele encontro com os amigos. As gargalhadas ao fim da tarde, as discussões, as besteiras. É aquele momento que você está sozinho e sente-se parte de tudo. O vento, os pássaros, as estrelas, o pôr-do sol.

A vida toca no rádio e não se repete. Alguns até escrevem para um locutor, em busca de explicações ou quem sabe um replay. Mas a estação é desconhecida e a existência do locutor duvidosa. O que sei, e posso afirmar, é que cada um é seu próprio compositor.

[Em relação ao que acabo de escrever, parece-me um daqueles textos que apenas conquistam leitores fáceis. Aquele tipo de mensagem que se encontra nas redes sociais, seguida, geralmente, por uma bela imagem. Talvez não passe disso. Entretanto, aquele momento em que ouvi a música, realmente significou algo para mim e desencadeou algumas reflexões. Por isso, escrevo. E escrevo da melhor maneira que consigo. Sem dúvida, preciso melhorar, de modo que possa escrever algo pelo qual me orgulhe.]

21 de jan de 2013

Acampamento

Olá bípedes! Esse fim de semana eu realizei um pequeno sonho: ir acampar! Graças ao convite da minha amiga Schaine, eu e outras amigas acabamos nos deslocando até a localidade de Herval Grande, na cidade vizinha de Humaitá, e lá acampamos. O lugar era lindo e a companhia muito boa. Me diverti bastante, tomei banho de rio e vi o céu mais estrelado de todos os tempos!  Ao fim, me restaram muitas picadas de mosquito, diversos arranhões e ótimas lembranças! Espero que esse seja o primeiro de muitos acampamentos! 

:
Barracas!

:)

Música para acampamentos.

Eu e Sandra (com cara de sono).

20 de jan de 2013

Poema de Rilke a Lou Salomé


Lou  Salomé

Tira-me a luz dos olhos: continuarei a ver-te...
Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te...
E embora sem pés caminharei para ti...
E já sem boca poderei ainda convocar-te.
Arranca-me os braços: continuarei abraçando-te
com o meu coração como com a mão...
Arranca-me o coração: ficará o cérebro,
E se o cérebro me incendiares também por fim,
Hei-de então levar-te no meu sangue.

( Rainer Maria Rilke)




Lou Salomé (1861-1937) foi uma escritora e psicanalista nascida na Rússia. Uma bela mulher que escandalizou a sociedade e quebrou regras morais. Teve vários amantes. Conheceu Sigmund Freud, Friedrich Nietzsche (ela foi a grande paixão na vida de Nietzsche), Rainer Maria Rilke, Paul Rée, entre outros grandes homens. Mulher sensível, tinha fama de sedutora. A produção literária de Lou esteve sempre muito ligada aos seus envolvimentos amorosos e da relação com Rilke, aos 36 anos, resultaram obras fundamentais da escritora como "A humanidade da mulher" e "Reflexões sobre o problema do amor".

Alguém disse sobre Lou: "Quando Lou se interessa apaixonadamente por um homem, nove meses depois esse homem dá à luz um livro."

"A vida humana – na verdade, toda a vida – é poesia. Nós a vivemos inconscientemente, dia a dia, fragmento a fragmento, mas, na sua totalidade inviolável, ela nos vive.” (Lou Salomé)

Para os interessados em uma biografia mais completa recomendo este link: Mulheres Incríveis - Lou Salomé.

17 de jan de 2013

Desenho: Ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.

Olá! Ontem publiquei aqui no blog um poema de Vinícius de Morais intitulado Ausência, e gostei tanto dele que resolvi fazer um desenho de uma de suas frases. 

"...E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos, mas eu te possuirei mais que ninguém..."

16 de jan de 2013

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

(Vinícius de Moraes)

13 de jan de 2013

Janis e o começo de uma nova era.

Para minha alegria, meu pai consertou minha bicicleta, a qual decidi chamar de Janis Joplin, haha. Na verdade, "consertar", nesse contexto, significa que agora, pelo menos, vai dar para andar mais de 50 metros sem ter que parar para arrumar a correia. É claro que o pedal ainda está quebrado, o aro está torto e os freios funcionam apenas 50% do que deveriam funcionar. Mas quem liga? (minha preocupada mãe certamente!). Ontem já pedalei o suficiente para achar que ia ter um ataque do coração (é, o sedentarismo estava pegando geral). Hoje andei até o silo da Cotricampo na saída para a cidade vizinha - Humaitá. Não é muito, porém para meu segundo dia está bom. Certamente, irei mais longe a cada dia. Esperava ter companhia humana para os passeios, mas ainda estou à procura. Então fomos apenas Janis e eu, ao som de Steppenwolf.

Janis - A Bicicleta.

Janis e eu descansando em uma parada de ônibus. (É estranhamente divertido dar nome a um objeto).

Queridas pernas: tonificá-las-ei!

Uma paisagem relativamente bonita no caminho. Os melhores lugares demandam que eu vá mais longe. No caminho entre Crissiumal e Humaitá há algumas paisagens que realmente me encantam. Inclusive um lugar que, aos olhos dos despercebidos, pode parecer um simples potreiro, mas que eu costumo chamar de "meu-lugar-preferido-no-mundo". Minha meta é conseguir chegar até lá de bicicleta e tirar um foto.


A Desobediência Civil II

"O Estado nunca enfrenta intencionalmente a consciência intelectual ou moral de um homem, mas apenas seu corpo, seus sentidos. Não está equipado com inteligência ou honestidade superiores, mas com força física superior."

Henry David Thoreau (1817-1862)
[A Desobediência Civil - Henry David Thoreau. Ed. L&PM, 2011. Página 39.]

11 de jan de 2013

A Desobediência Civil

"Eu clamo não já por governo nenhum, mas imediatamente por um governo melhor. Deixemos que cada homem faça saber que tipo de governo mereceria seu respeito e este já seria um passo na direção de obtê-lo."

Henry David Thoreau (1817-1862)
[A Desobediência Civil - Henry David Thoreau. Ed. L&PM, 2011. Página 10.]

10 de jan de 2013

Hungarian Rhapsody No.2 - Franz Liszt


Trecho da música que é tocado no filme Shine (1996).

Religião

"A religião tem todas as coisas a seu favor: a revelação feita por Deus aos homens, as profecias, a proteção do governo, das figuras mais respeitáveis e importantes. Mais que isso, o enorme privilégio de poder gravar sua doutrina na mente das pessoas quando elas são crianças e, com isso, as ideias se tornam quase congênitas."

Schopenhauer (1788-1860)
[A Cura de Schopenhauer - Irvin D. Yalom. Epígrafe do capítulo oito, página 79. Editora Agir, 2005.]


6 de jan de 2013

A Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada


(Vinícius de Moraes)




3 de jan de 2013

Querer

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
(Pablo Neruda)

1 de jan de 2013

Cartaz para uma feira do livro

Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.

(Mario Quintana)

Não há vagas.



O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
(Ferreira Gullar)

Leminski IV

essa idéia
ninguém me tira
matéria é mentira

(Paulo Leminski)

Leminski III

vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

(Paulo Leminski)

Leminski II

A noite me pinga
uma estrela no olho
e passa.


(Paulo Leminski)

Leminski

você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo
nem fale em amor
que amor é isto
(Paulo Leminski)