26 de dez de 2013

Desenho: Débora e Rudi

Olá! Depois de meses sem desenhar nada, fiz este desenho para Débora e Rudimar, um casal de Santa Rosa - RS. 

Beijos, até mais.



BOM DIA BRASIL!

(AVISO: Tirem as crianças da sala. O texto a seguir contém cenas fortes e palavreado de baixo calão.)

BOM DIA BRASIL!

Pior temporada de chuva em 30 anos deixa mais de 20 mortos no Espírito Santo.

BOM DIA BRASIL!

Cardumes de piranhas atacam banhistas em praias brasileiras.

BOM DIA BRASIL!

Descobriu-se que chocolate é mais cancerígeno que cigarro.

BOM DIA BRASIL!

A NASA alerta que um meteoro gigante irá cair na Terra e matar todos os seres humanos ainda hoje.

BOM DIA BRASIL!

Pesquisa demonstra que a sua vida é uma merda.


Esse pessoal aí só dá notícia ruim às 7h30min da manhã e ainda vem me desejar bom dia entre uma e outra. BOM DIA BRASIL É O C@R4l#O! 

Só estou escrevendo essa p*rra de texto porque, às vezes, ligo a televisão antes de ir trabalhar e me deparo com este bom dia repleto de desgraças, o que achei realmente cômico. (Esse post tosco e revoltado me lembrou do grande AWAY NILZER).

Sem mais.

30 de nov de 2013

LISBON REVISITED

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ­
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!

Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!



Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

28 de nov de 2013

Cartas a um jovem poeta.

Worpswede, Bremen, 16 de julho de 1903.

"Se se prender à natureza, ao que nela existe de simples e pequeno, àquilo que quase ninguém observa e que, de repente, se metamorfoseia no infinitamente grande, no incomensurável, - se estender o seu amor a tudo que vive - se humildemente tentar ganhar a confiança do que lhe parece mesquinho - então tudo lhe será mais fácil, tudo lhe parecerá mais harmonioso e, por assim dizer, mais repousante. A sua inteligência, espantada, ficará talvez na retaguarda, mas a sua consciência mais profunda despertará e compreenderá. É tão jovem, tão inexperiente ainda diante das coisas, que desejaria pedir-lhe, o melhor que soubesse, uma grande paciência para tudo o que ainda não estiver decidido no seu coração. Esforce-se por amar as suas próprias dúvidas, como se cada uma delas fosse um quarto fechado, um livro escrito em idioma estrangeiro. Não procure respostas que não lhe podem ser dadas, porque não saberia ainda colocá-las em prática e vivê-las. E trata-se, precisamente, de viver tudo [...]."

Rainer Maria Rilke.

24 de nov de 2013

Língua Portuguesa - Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


Curiosidade: Flor do Lácio é uma expressão usada para designar a Língua Portuguesa, última língua derivada do Latim Vulgar falado no Lácio, uma região italiana. As línguas latinas (também chamadas de românicas ou neolatinas) são aquelas que derivaram do Latim, sendo as mais faladas: Francês, Espanhol, Italiano e Português.

22 de nov de 2013

Trio Amadeus: Música Erudita & MPB


O Trio Amadeus é um grupo de muita personalidade que surgiu em 2003, em Belo Horizonte. Formado por Marcelle Chagas, soprano e harpista, Fábio Lopes, cantor popular e violonista e Rafael Marcenes, violinista, o grupo faz uma transformação classico-pop de músicas consagradas do cenário mundial. A versatilidade é tanta que vai de ópera a MPB. A mistura harpa, violino e violão, além das vozes de Fábio e Marcelle, fazem uma assinatura musical inédita e  inconfundível. Eles já se apresentaram em várias partes do Brasil e na Europa e a cada dia consolidam mais seu nome neste mercado tão amplo e inexplorado no país.  



Scarborough Fair - Música Medieval 




19 de nov de 2013

Cat Stevens & Folk

Acabo de escutar Cat Stevens pela primeira vez e estou encantada com sua música. Um bom folk rock para ouvir e descansar depois de um dia de trabalho era tudo que eu queria. E ficou melhor ainda com o barulho da chuva caindo lá fora. :)


Cat Stevens, nome artístico de Steven Demetre Georgiou, é um cantor e compositor britânico. Vendeu 40 milhões de álbuns, principalmente entre as décadas de 1960 e 1970. Entre suas canções mais populares estão "Morning Has Broken", "Peace Train", "Moonshadow", "Wild World", "Father and Son" e "Oh Very Young". Depois de sua conversão ao Islã adotou o nome de Yusuf Islam.




12 de nov de 2013

Macabéa e Olímpico de Jesus

"Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:

- Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?"

A Hora da Estrela. Clarice Lispector. 24ª edição.  Editora Francisco Alves. Página 60.
[Minha primeira leitura de Clarice.]

19 de out de 2013

Disso eu quis fazer a minha poesia.

"A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquinas. Disso eu quis fazer a minha poesia. Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não tem voz."

Ferreira Gullar

11 de out de 2013

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

3 de out de 2013

26 de jul de 2013

Peso ou leveza?

“O mais pesado dos fardos nos esmaga, verga-nos, comprime-nos contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o fardo do corpo masculino. O mais pesado dos fardos é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da realização vital mais intensa . Quanto mais pesado é o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais real e verdadeira ela é.

Em compensação, a ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve que o ar, leva-o a voar, a se distanciar da terra, do ser terrestre, a se tornar semi-real, e leva seus movimentos a ser tão livres como insignificantes.

O que escolher, então? O peso ou a leveza?”

[ Trecho do livro A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera ]

22 de jul de 2013

O corpo de delito do amor.

"O sono compartilhado era o corpo de delito do amor. (...) Tomas pensava: 'Deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (esse desejo diz respeito a uma só mulher)'."

[ Trecho do livro A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera ]

16 de jun de 2013

Buscando o sentido.

O sentido, acho, é a entidade mais misteriosa do universo.
Relação, não coisa, entre a consciência, a vivência e as coisas e os eventos.
O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir.
Me recuso a viver em um mundo sem sentido.
Estes anseios/ensaios são incursões conceptuais em busca do sentido.
Pois isso é próprio da natureza do sentido: ele não existe nas coisas, tem que ser buscado, numa busca que é sua própria fundação.
Só buscar o sentido faz, realmente, sentido.
Tirando isso, não tem sentido.

Paulo Leminski, 1986.
[ Trecho do livro Ensaios e Anseios Crípticos ]

13 de jun de 2013

"Nunca se é homem enquanto não se encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer." 
 Jean-Paul Sartre

9 de jun de 2013

Franz Ferdinand

Escuta aí: Take Me Out - Franz Ferdinand. 




Tão curto o amor, tão longo o esquecimento...

Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe". 
O vento da noite gira no céu e canta. 


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou. 
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito. 


Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. 
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi. 


Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho. 
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo. 


Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido. 
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo. 


A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. 
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. 


De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. 
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. 


Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido. 
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

(Pablo Neruda)

4 de jun de 2013

O Mundo é Grande

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar. 

(Carlos Drummond de Andrade)

22 de mai de 2013

Oh Sim

há coisas piores que
estar só
mas nos custa décadas
até que percebamos
e geralmente
quando conseguimos
é tarde demais
e não há nada pior
que
ser tarde demais

(Charles Bukowski)

19 de mai de 2013

Isto então...

é o mesmo que antes
ou que da outra vez
ou da vez anterior a essa.
eis um pau
e eis uma boceta
e eis um problema.

e cada vez
você pensa
bem eu aprendi desta vez:
vou dizer a ela que faça isso
e eu farei isto,
já não quero a coisa toda,
só um pouco de conforto
e um pouco de sexo
e apenas um mínimo de
amor.

agora novamente espero
e os anos vão escasseando.
tenho meu rádio
e as paredes da cozinha
são amarelas.
sigo esvaziando as garrafas
à espera
dos passos.

espero que a morte reserve
menos do que isto.


(Charles Bukowski)

18 de mai de 2013

Nos embalos de sábado à noite.

Sabe baby, fuck this shit. Yes, you know what I'm talking about. All this shit.

Eu só quero ouvir um bom disco, quero minha paz e meu cigarro.

Se bem que... eu não fumo. 

Eu só quero ouvir um bom disco, quero minha paz e uma panela de brigadeiro.

Serve mais um copo e relaxa baby, que Little Charlie & The Nightcats vem aí.

E essa é das minhas. "You Got Your Hooks In Me".

Oh yeah.


Poema nos meus 43 anos.

Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida —
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.
… de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi…
e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.


(Charles Bukowski)

Charles Bukowski

11 de mai de 2013

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo. 

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão. 

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira. 

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta. 

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente. 

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem. 

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?


(Ferreira Gullar)

8 de mai de 2013

30 de abr de 2013

O que quer que você possa fazer, ou sonha poder fazer, faça-o!

"No tocante a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental cujo desconhecimento mata inúmeras ideias e planos esplêndidos: a de que, no momento em que nos comprometemos definitivamente , a Providência também se move. Para ajudar-nos , ocorre toda espécie de coisas que em outra situação não teriam ocorrido. Toda uma corrente de acontecimentos brota da decisão, fazendo surgir a nosso favor toda sorte de incidentes, encontros e assistência material que nenhum homem sonharia pudessem vir ao seu encontro. O que quer que você possa fazer, ou sonha poder fazer, faça-o! Coragem contém genialidade, poder e magia."

Johann Wolfgang von Goethe

28 de abr de 2013

Cecília tomou um drinque junto com a comida e explicou tudo sobre o seu vegetarianismo.

"Paramos pra comprar bebidas, gelo e cigarros, e voltamos pro apartamento. Aquele único drinque deixou Cecília zonza e tagarela, e ela nos explicou que os animais têm alma também. Ninguém contestou suas opiniões. A gente sabia que era possível. O que a gente não tinha certeza é se nós tínhamos uma."

Mulheres. Charles Bukowski. Editora Brasiliense. 1978. Página 171.

Chinaski

"Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante; dava muito trabalho. Eu queria mesmo era um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão."

Mulheres. Charles Bukowski. Editora Brasiliense. 1978. Página 101.

26 de abr de 2013

Poesia

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

(Carlos Drummond de Andrade)

23 de abr de 2013

O Sentimento do Mundo

Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram que havia uma guerra
e era necessário trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso, anterior a fronteiras,
humildemente vos peço que me perdoeis.
Quando os corpos passarem, eu ficarei sozinho
desafiando a recordação do sineiro,
da viúva e do microscopista que habitavam a barraca
e não foram encontrados ao amanhecer
esse amanhecer mais que a noite.

(Carlos Drummond de Andrade)

18 de abr de 2013

Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.

(Carlos Drummond de Andrade)

17 de abr de 2013

Não Passou

Passou?
Minúsculas eternidades deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão - a tua mão, nossas mãos -
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado. 

(Carlos Drummond de Andrade)

13 de abr de 2013

Celebração da Coragem

A direita mesquinha e a esquerda puritana dedicam boa parte de seus fervores discutindo se Salvador Allende suicidou-se ou não. Allende tinha anunciado que não sairia vivo do palácio presidencial. Na América Latina, é tradição: todos dizem a mesma coisa. Depois, na ora do Golpe de Estado, correm para o primeiro avião.

Tinham se passado muitas horas de bombas e fogo e Allende continuava combatendo entre os escombros. Então chamou seus colaboradores mais íntimos , que resistiam com ele, e disse:

- Desçam, que eu já vou.

Eles acreditaram e  foram embora, e Allende ficou sozinho no palácio em chamas. Que importa de quem foi o dedo que disparou a bala final?

O Livros dos Abraços. Eduardo Galeano. Ed. L&PM, 2005. Página 260.

L'amour, le sexe.

O amor é sexualmente transmissível.

Trecho do livro Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino.

pero existe controversia. ]

(Desejo ler este livro, mas ainda não tive oportunidade de tê-lo em mãos. Há um filme brasileiro homônimo, protagonizado por Camila Pitanga e não sei mais quem. Parece bom.)

A Televisão

A televisão mostra o que acontece?
Em nossos países a televisão mostra o que ela quer que aconteça; e nada acontece se a televisão não mostrar. A televisão, essa última luz que te salva da solidão e da noite, é a realidade. Porque a vida é um espetáculo: para os que se comportam bem, o sistema promete uma boa poltrona.

O Livros dos Abraços. Eduardo Galeano. Ed. L&PM, 2005. Página 149.

11 de abr de 2013

As Histórias de IVO SÓ

Olá pessoas! Comecei uma nova série de desenhos  - AS HISTÓRIAS DE IVO SÓ. A minha ideia original era um pouco diferente, mas no fim o resultado foi esse. Passei a tarde de ontem e hoje desenhando. Os desenhos foram feitos com aquarela, lápis-de-cor, nanquim, pensamentos, música e não muita paciência. Comentem!

PS: Se vocês prestarem atenção, vão perceber como são seres humanos privilegiados, pois são os únicos que podem ver um desenho que veio diretamente do futuro para a tela de seus computadores... É que eu, sem querer, coloquei no desenho a data de amanhã, e não a de hoje. Rá!

Este é Ivo. E é o seu sobrenome.


Apenas por curiosidade: 

Grand Canyon é um vale moldado pelo rio Colorado durante milhares de anos. Encontra-se no território dos Estados Unidos e chega a medir entre 6 e 29 km de largura e atinge profundidades de 1600 metros.

O Itaimbezinho é o maior cânion do Brasil. Localizado no Rio Grande do Sul, impressiona pelos seus 5.800 metros de extensão e pela verticalidade dos seus paredões de pedra. 

Lua é o único satélite natural da Terra, situando-se a uma distância de cerca de 384.405 km do nosso planeta.

Fossa das Marianas é o local mais profundo dos oceanos, atingindo uma profundidade de 11.034 metros . Localiza-se no Oceano Pacífico.








Músicas da Semana

Olá! Faz séculos que eu não publico as minhas "músicas da semana", sendo que antigamente fazia isso sempre. Então, só para relembrar os velhos tempos, seguem as músicas que mais ouvi na última semana:

1 - Video Games - Lana del Rey
2 - Eye in the Sky - The Alan Parsons Project
3 - Arising Thunder - Angra
4 - Pela Luz dos Olhos Teus - Tom Jobim
5 - September Sun - Type O Negative

7 de abr de 2013

Os Ninguéns

As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamam e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm, cultura, e sim folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

 O Livros dos Abraços. Eduardo Galeano. Ed. L&PM, 2005. Página 71.

2 de abr de 2013

Qual é o tipo de espaço que separa o homem de seus semelhantes?


Às vezes eu sentia que qualquer objeto natural podia oferecer a mais suave e meiga, a mais inocente e animadora companhia, mesmo ao misantropo pobre e ao mais melancólico dos homens. Não há como existir nenhuma negra melancolia para quem vive entre a Natureza e tem serenidade dos sentidos. Jamais existiu temporal algum que não fosse uma música eólica a ouvidos sadios e inocentes. Nada consegue impelir honestamente um homem simples e bravo a uma tristeza vulgar. Enquanto desfruto a amizade das estações, sinto que nada conseguirá fazer da vida um fardo para mim. (...) Muitas vezes me dizem: "Imagino que você se sentia solitário lá embaixo, e queria estar mais perto das pessoas, principalmente nos dias e noites de chuva e neve". Fico com vontade de responder: Esta terra inteira que habitamos é apenas um ponto no espaço. A que distância você acha que moram os dois habitantes mais afastados daquela estrela acolá, cujo diâmetro nossos instrumentos não conseguem calcular? Por que eu me sentiria sozinho? Nosso planeta não fica na Via Láctea? O que você está me colocando não me parece a questão mais importante. Qual é o tipo de espaço que separa o homem de seus semelhantes e o torna solitário? Descobri que nem o maior esforço das pernas consegue aproximar dois espíritos.

Henry David Thoreau (1817-1862) em Walden ou A Vida Nos Bosques

31 de mar de 2013

A Situação do Trabalho nos Frigoríficos

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, com destaque para a indústria de carnes. Em 2011 os frigoríficos exportaram 15,64 bilhões de dólares e as carnes brasileiras chegaram a 150 países do mundo, gerando cerca de 750 mil postos de trabalho em todo o país. No entanto, há uma parte dessa história que nem sempre é contada.

Provavelmente, quem compra uma picanha, uma linguiça ou um filé de frango no supermercado não imagina que, por trás do pacote bem embalado, existam histórias de milhares de trabalhadores que adoecem e se lesionam gravemente todos os dias nas linhas de abate de bovinos, suínos e aves.

Quem trabalha em um frigorífico enfrenta diariamente uma série de situações prejudiciais à saúde: graves acidentes com facas, serras e outros instrumentos cortantes, doenças causadas por movimentos repetitivos e pela exposição constante ao frio, pressão psicológica para dar conta do alucinado ritmo de produção e jornadas exaustivas.

A legislação trabalhista do Brasil prevê uma série de medidas que, se devidamente aplicadas, contribuiriam para a proteção da saúde dos empregados do setor de frigoríficos. Para se ter uma ideia, o artigo 253 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por exemplo, ordena a realização de intervalos de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho para amenizar os efeitos do frio. São as chamadas “pausas para recuperação térmica”. O problema é que as empresas nem sempre cumprem essa determinação, priorizando a alta produtividade e o lucro.


Quem comanda o negócio das carnes no Brasil?

De cada 10 dólares que todos os frigoríficos brasileiros faturam com a exportação de carnes para países estrangeiros, pelo menos 8 dólares vão para a conta de apenas três deles: JBS, Marfrig e Brasil Foods. Até 2020, o governo brasileiro espera que quase metade do comércio mundial de carnes seja dominado por nossas empresas. E essas três serão as maiores beneficiadas. Apesar de todo esse poderio econômico, elas também têm uma série de problemas em suas unidades industriais espalhadas pelo país.



Alguns casos:


Marfrig Group (inclui marcas como a Seara)

Por não suportarem o frio intenso da sala de cortes do frigorífico, nove funcionários da Seara (empresa do Grupo Marfrig) do município de Forquilhinha (SC) não viram alternativa a não ser deixar temporariamente o local.

Por essa razão, foram demitidos, em 2006. Logo após esse fato, o Ministério Público do Trabalho (MPT) iniciou uma investigação sobre as condições de trabalho no frigorífico e entrou com um processo na Justiça contra a empresa.

Em 2011, atendendo a alguns pedidos contidos na ação, a Justiça determinou que a Seara concedesse pausas de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho para atenuar os efeitos do frio e possibilitar a “recuperação térmica” dos empregados.

A sentença judicial também atendeu a outra reclamação curiosa: o frigorífico foi obrigado a liberar a ida ao banheiro de seus empregados, sem a necessidade de avisar previamente a um superior. Na ação, o MPT acusava a Seara de conceder apenas dois intervalos de oito minutos, ao longo de um dia inteiro de trabalho, para que os empregados pudessem satisfazer suas necessidades fisiológicas.
Além disso, a Justiça determinou ainda que a empresa pagasse uma indenização de R$ 14,6 milhões por danos morais coletivos causados pela Seara de Forquilhinha. A empresa está recorrendo da decisão e garante que está cumprindo todas as exigências legais.


BR Foods (Perdigão + Sadia)

Até 2011, a direção da planta industrial no município de Rio Verde (GO) proibia os homens que trabalhavam no incubatório – setor em que ficam armazenados os ovos que dão origem às aves – de usarem cuecas. Essa estranha regra foi adotada para supostamente evitar uma contaminação do setor. Mas o curioso é que a regra só valia para os homens. As mulheres, por não conseguirem conter o fluxo menstrual, eram autorizadas a usar calcinhas.

O problema só foi resolvido em abril de 2011, quando o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com um processo na Justiça contra a Brasil Foods, por entender que a proibição violava a intimidade e a dignidade dos trabalhadores do sexo masculino. Na ação, o órgão federal exigia o pagamento de uma indenização de R$ 630 mil por danos morais coletivos. O problema foi resolvido em junho de 2011. Depois de firmar um acordo com o MPT, a empresa passou a permitir que os empregados homens também vestissem roupas íntimas.

Além de expor seus empregados a situações constrangedoras, o frigorífico de Rio Verde também gerava um número impressionante de trabalhadores lesionados e adoentados. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, 90 mil pedidos de afastamento foram registrados entre janeiro de 2009 e setembro de 2011. Praticamente, é como se a cada 10 meses todos os 8 mil empregados da unidade da Brasil Foods de Rio Verde tivessem que se ausentar por problemas de saúde relacionados ao trabalho. Os afastamentos por distúrbios osteomusculares (os chamados DORT, como tendinites e bursites) foram os mais recorrentes: a média é de impressionantes 28 atestados por dia e de 842 por mês.


JBS

A unidade de Barretos (SP) da JBS tem cerca de 1.850 empregados. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), que em julho de 2011 inspecionou o frigorífico, foram registrados 496 afastamentos temporários (aqueles com menos de 15 dias) de trabalhadores por problemas físicos e psíquicos no primeiro semestre daquele ano.

Ainda de acordo com o órgão federal, 14% dos empregados estão permanentemente afastados do trabalho devido a acidentes – e sobrevivem graças ao benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Se nada for feito para alterar a organização do trabalho na unidade de Barretos, o MPT projeta que, em dois anos, cada funcionário se afastará em média sete vezes do serviço; que 100% dos funcionários enfrentarão problemas osteomusculares, como tendinites e bursite; e que um em cada seis sofrerá algum tipo de transtorno psíquico.

Para minimizar os riscos à saúde dos funcionários da empresa, o Ministério Público do Trabalho processou a JBS para que ela conceda 20 minutos de intervalo a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho contínuo para os empregados lotados em ambientes “artificialmente refrigerados”, com temperaturas abaixo de 15ºC. O Ministério Público do Trabalho também exige uma indenização por danos morais coletivos de R$ 20 milhões. Apesar de o mérito do processo ainda não ter sido julgado, o MPT obteve já em 2012 um mandado judicial que obriga a JBS de Barretos a conceder as pausas.



Há casos de frigoríficos fiscalizados por autoridades competentes em que foram encontrados empregados que trabalhavam até 15 horas por dia, muitas vezes sem direito a folga semanal, e expostos a diversos riscos à saúde física e psicológica – como sangue de animais, instrumentos cortantes, frio excessivo e ritmo incessante de trabalho. Sob esse ponto de vista, há quem enxergue em casos desse tipo uma situação “análoga à de escravidão”.

Via de regra, o que se considera trabalho escravo nos dias de hoje é a violação da dignidade humana de um trabalhador, quando não só sua força de trabalho, mas também seu próprio corpo é tratado como mercadoria. O trabalho decente é um direito fundamental de todo ser humano.

Fonte: Caderno temático Moendo Gente - A Situação do Trabalho nos Frigoríficos, produzido pelo programa Escravo, Nem Pensar! da ONG Repórter Brasil.

Download do Caderno Temático: Moendo Gente 

Trailer do documentário Carne e Osso:

22 de mar de 2013

O diagnóstico e a terapêutica.

O amor é uma das doenças mais bravas e contagiosas. Qualquer um reconhece os doentes dessa doença. Fundas olheiras delatam que jamais dormimos, despertos noite após noite pelos abraços, ou pela ausência de abraços, e padecemos febres devastadoras e sentimos uma irresistível necessidade de dizer estupidezes. 

O amor pode ser provocado deixando cair um punhadinho de pó-de-me-ame, como por descuido no café ou na sopa ou na bebida. Pode ser provocado, mas não pode impedir. Não o impede nem a água benta, nem o pó de hóstia; tampouco o de alho , que nesse caso não serve pra nada. O amor é surdo frente ao Verbo divino a ao esconjuro das bruxas. Não há decreto de governo que possa com ele, nem poção capaz de evitá-lo, embora as vivandeiras apregoem, nos mercados, infalíveis beberagens com garantia e tudo.

O Livros dos Abraços. Eduardo Galeano. Ed. L&PM, 2005. Página 91.



21 de mar de 2013

A noite

Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho um mulher atravessada em minha garganta. 

 O Livro dos Abraços. Eduardo Galeano. Ed. L&PM, 2005. Página 90.

Quarto Mutante



Viciei em Os Mutantes:




19 de mar de 2013

Crônica de um Acidente Anunciado [ou As Aventuras do Dedo Mínimo]

No dia em que iria bater o seu mindinho contra a quina do móvel, Mariane Bach acordou as 9:30h da manhã. Era certamente um belo dia de sol, a temperatura beirava aos 20ºC. Seu irmão e sua cunhada repousavam na sala, assistindo a tudo de melhor que a televisão pode oferecer em um domingo. Sua irmã estudava em seu quarto. A localização dos progenitores na cena é desconhecida. O horário em que o "acidente" aconteceu é indefinido. Sabe-se, no entanto, que foi por volta do meio-dia. Mas se foi antes ou depois de comer churrasco e maionese poucos saberiam dizer. O que se sabe, é que Mariane saiu da cozinha em direção à sala, e no exato momento em que daria o segundo passo: pleft! Bateu com o pé, ou mais precisamente, com o dedo mindinho contra o sofá, comumente chamado de poltrona-do-papai, herança de sua avó Hedwiges. E então ela proferiu um grito de horror:

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHH!

Imediatamente após o acidente, Mariane foi pulando em um pé só até o seu quarto, deitou-se na cama e foi fazer qualquer atividade irrelevante para o caso. A princípio, a dor havia passado. Mas ninguém estava preparado para o que viria a seguir.

Uma hora depois, o dedo voltou a doer. Cinco horas depois, o dedo continuava doendo. Doze horas depois, o dedo ainda doía e começava a ganhar pigmentação característica. Um dia depois, o dedo doía pra caralho e estava roxo. 
Mariane Bach e suas conselheiras tendem a crer que o dedo está destroncado ou algo do tipo (se é que isso é possível).

A vítima (à direita da foto).

E quem é o culpado desse crime inescrupuloso? À primeira vista, vocês diriam: "É da garota, que deve ser cega, porque não viu o sofá na sua frente!". Entretanto, meus caros amigos, para que culpar Mariane, para que apedrejá-la tão facilmente, quando se pode por a culpa em outra pessoa? Mas em quem? Em quem?

- MÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃEEEEE!

A mãe de Mariane, excelentíssima rainha do Clã das Mulheres-Que-Ficam-Mudando-Os-Móveis-De-Lugar, acusada de crime doloso, foi condenada a sete anos de reclusão no quarto mais alto, da torre mais alta do castelo. Seu crime foi posicionar a poltrona exatamente a 27º sul da linha do Equador, 57º a Oeste do Meridiano de Greenwich, a uma altitude de 376 metros acima do nível do mar, ou para ser mais precisa, bem no meio do meu caminho

E apenas para refletirmos ao final dessa linda história, para que serve, afinal, o dedo mindinho? Pelo que li, parece que perdeu sua função primordial, que era de dar equilíbrio ao corpo, adquirindo outras funções, como bater contra os móveis, incomodar no sapato, saltar pra fora da sandália, enfim... Mas não percam as esperanças meus irmãos, talvez Lamarck esteja certo e em uma próxima vida nasçamos sem ele. (Ahh, mas eles são tão fofinhos! *--* Assim, meio tortinhos, mas fofinhos!). Sei que hoje em dia algumas mulheres americanas já estão amputando o mindinho, para poder usar salto alto mais confortavelmente. Bem, pelo menos foi o que eu ouvi falar. Se continuar assim, prevejo uma futura revolta dos dedos mínimos:

- Mindinhos de todos os países, uni-vos!

17 de mar de 2013

As Aventuras de Juliet #2

Olá terráqueos! Finalmente eu fiz o segundo desenho da série As Aventuras de Juliet. Como é possível perceber, ela soltou o cabelo e colocou uma roupa colorida, para fugir um pouco do visual Wednesday e criar características próprias. As fotos não estão muito boas, mas é o que tem pra hoje. O que acharam? (Principalmente a respeito da frase e tals). Comentem! 

Para ver As Aventuras de Juliet #1, clique aqui!