24 de dez de 2012

All you need is a book.

Há muito, muito tempo, em um reino distante, quando eu ainda costumava vagar pelas terras do facebook, lembro-me de ter visto a seguinte imagem publicada no mural de alguém:


Como eu sou uma romântica incurável (bem, talvez nem tanto assim), continuo sendo adepta do bom e velho all you need is love, mas não posso negar a fascinação que tenho pela leitura e, na falta de love, que tal ler um livro? Mais do que apenas um modo de passar o tempo, a leitura proporciona conhecimento, estimula a auto-reflexão e se torna combustível inesgotável para a imaginação. Ler permite uma maior compreensão a cerca do mundo e das pessoas, de modo que, ao mesmo tempo em que viajamos pelo planeta, exploramos nosso universo interior. 

Quanto mais cedo se estimular uma criança à leitura, mais chances ela tem de se tornar um adulto que lê. Quando era pequena, lembro que ia até a biblioteca pública e pegava até doze livros de uma vez, que lia em um ou dois dias. Gostava de poesia e da  coleção Ritinha Danadinha, do Pedro Bandeira. 

Nos últimos tempos, tenho lido bastante (uma média de 2 livros por semana). As férias da universidade colaboraram muito com isso (ao mesmo tempo que não, pois deixo de ter acesso à biblioteca), excluir o facebook também e, além disso, a busca pelo conhecimento, o tédio e um pouco de solidão também ajudaram para o desenvolvimento deste hábito.


 "A literatura junta a solidão de quem escreve com a solidão de quem lê."
-Humberto Gessinger


Essa semana terminei de ler Na Natureza Selvagem. Ótimo livro! Li ouvindo Eddie Vedder, o que tornou a leitura melhor ainda! Agora estou numa onda de querer ler tudo o que o Christopher McCandless leu. Os livros, de certa forma, influenciaram na definição de sua moral. Autores como Jack London, Thoreau, Tolstói e Pasternak estavam na sua estante.

Hoje terminei de ler A Morte de Ivan Ilitch, do Tolstói, e fiz uma coisa que nunca havia feito: saí de casa e fui ler na praça. Achei uma experiência bastante agradável, pois podia ouvir os pássaros e as cigarras, sentir o vento, e não havia ninguém para me interromper. 

Mantenho um perfil na rede social Skoob, um site voltado para a leitura. Por  ele eu controlo os livros que já li e que vou ler, e faço listas dos que desejo ganhar/comprar, dos que tenho em casa, etc. 

Compro livros na livraria da Unijuí, no Submarino e no sebo Estante Virtual.

Um pouco da minha lista do Skoob:

Livros Favoritos:

Do Amor e Outros Demônios - Gabriel Garcia Márquez
Felicidade Conjugal - Tolstói
Os Sofrimentos do Jovem Werther - Goethe
On The Road - Jack Kerouac
Na Natureza Selvagem - Jon krakauer
O Senhor do Anéis - Tolkien
O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

Livros Desejados:

Walden ou A Vida nos Bosques - Thoreau
Doutor Jivago - Boris Pasternak
1984 - George Orwell
Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Márquez
Não Há Silêncio Que Não Termine - Ingrid Betancourt
Trilogia U.S.A. - John dos Passos
Retrato do Amor Quando Jovem - Dante, Shakespeare, Sheridan, Goethe
Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister - Goethe
O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder 
• Todos do  Gabriel Garcia Márquez

Próximas Leituras:

Fundamentos de Nutrição no Esporte e no Exercício - Marie Dunford
A Cura de Schopenhauer - Irvin D. Yalom
A Desobediência Civil - Thoreau
As Veias Abertas da América Latina - Eduardo Galeano
Filosofando - Introdução à Filosofia - Maria Martins e Maria Aranha
A Erva do Diabo - Os Ensinamentos de Dom Juan - Carlos Castaneda
O Apanhador no Campo de Centeio - Salinger
Por Quem os Sinos Dobram - Hemingway
Um Copo de Cólera - Raduan Nassar
Só as Mulheres e as Baratas Sobreviverão - Claudia Tajes
O Livro de Ouro da Mitologia - Thomas Bulfinch
• Vários do Gabriel Garcia Márquez

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos.

Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante
Você anda pela tarde
E o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito
Uma saudade, um sonho

20 de dez de 2012

1968

Olá! Recentemente li Amor nos Tempos de Fúria, um pequeno livro de Lawrence Ferlinghetti, um escritor americano da geração beat. O livro narra a história de Annie e Julian, tendo como plano de fundo a Paris de 1968, em uma época que estudantes, artistas e trabalhadores tomaram as ruas com protestos, discursos e pichações, iniciando uma das maiores greves gerais da história. Annie é uma pintora americana, passional e idealista, e  Julian, um cético banqueiro português que afirma ser anarquista de coração, mas que vive confortavelmente segundo o espírito burguês. 

Ler este livro despertou em mim interesse pelo assunto, sendo assim, resumo aqui o que pesquisei sobre os acontecimentos ocorridos em 1968, em Paris e no mundo. O texto é, quase que em sua totalidade, retirado do site EducaTerra - História por Voltaire Schilling. É engraçado que eu usei o termo "resumo" pois o texto está demasiado grande, mas sim caros leitores, está resumido, de modo que deixei de citar alguns fatos diversos.


Revolução em Paris

Em maio de 1968, a França concentrou em um mês as transformações sociais de uma década, com um movimento que teve início nas universidades e se espalhou pelo país. Confrontando o sistema, a ordem política e os costumes sociais, os estudantes saíram às ruas deflagrando o maior movimento social do século XX, que tornou-se o ponto de partida para uma série de transformações políticas, éticas, sexuais e comportamentais, que afetaram as sociedades da época de uma maneira irreversível. Seria o marco para movimentos ecologistas, feministas, das organizações não-governamentais e dos defensores das minorias e dos direitos humanos. 

As passeatas estudantis foram dissolvidas com violência cada vez maior pela polícia do Presidente De Gaulle. Indignados os estudantes ergueram obstáculos nas ruas centrais de Paris que davam acesso ao Quartier Latin, antigo centro universitário da cidade. A maior batalha deu-se na “noite das barricadas”, em 10 de maio. A essa altura ganharam as simpatias de outros setores sociais: sindicalistas, professores, funcionários, jornaleiros, comerciários, bancários aderiram a causa estudantil. De protesto estudantil contra o autoritarismo e o anacronismo das academias rapidamente transformou-se, com a adesão dos operários, numa contestação política ao regime gaulista.

Paris, com o calçamento revirado, vidraças partidas, postes caídos e carros incendiados, assumiu ares de cidade rebelada. No alto das casas e prédios tremulavam bandeiras negras dos anarquistas. De 18 de maio a 7 de junho, 9 milhões de franceses declararam-se em greve geral. No dia 13 de maio um milhão e duzentos mil marcharam pelas ruas em protesto contra o governo. Liderados por Daniel Cohn-Bendit, Alan Geismar e Jacques Sauvageot, os estudantes colocaram em xeque o regime do velho general.

De Gaulle propôs uma solução eleitoral e graças a ela, com o apoio de uma imensa manifestação da “maioria silenciosa” pela ordem, conseguiu evitar um motim social. Obteve uma significativa vitória nas eleições de 23-30 de junho. A partir de então o movimento estudantil refluiu. A tormenta passara, mas o General De Gaulle enfraquecido renunciou a presidência da República em 27 de abril de 1969, depois de tê-la ocupado por dez anos. 


O mundo em 1968
A Contracultura

Os Estados Unidos ocupavam o Vietnã em uma guerra que dividia a opinião no país americano. A chamada “maioria silenciosa” e os conservadores em geral acreditavam que era uma guerra justa e nobre porque os americanos estavam no Sudeste da Ásia para impedir que seus aliados do Vietnã do Sul sofresse uma agressão comunista. Mas não foi esse o entendimento da juventude universitária, dos escritores e dos intelectuais. Para eles tudo não passava de um pretexto para a afirmação de uma política de força. Uma grande potência, a maior do mundo, queria impor-se ao povo de um pequeno pais da Ásia, recorrendo a uma argumentação pseudo-humanitária para encobrir os bombardeios, os massacres e outras atrocidades de guerra.

A crescente oposição à guerra dentro dos Estados Unidos quase tornou-se numa aberta insurreição da juventude. A violência dos bombardeios sobre a população civil vietnamita, composta de aldeões paupérrimos, já havia provocado desconfiança em relação a justeza da intervenção no Sudeste da Ásia. Diariamente a televisão americana mostrava imagens dos combates e dos sofrimentos dos soldados e dos civis. Somou-se a isto a visível falta de perspectiva para solucionar o conflito. Era inaceitável que a maior potência do mundo atacasse um pequeno país camponês do Terceiro Mundo.

A postura pacifista redundou numa crescente crítica não só à intervenção militar mas aos valores globais da sociedade americana. Pregaram a desobediência civil e, em grandes manifestações publicas, queimavam as convocações para o serviço militar. 

Outra forma de contestação foi assumida pelo movimento hippie. Estes eram jovens da mais diversa extração social que ostensivamente vestiam-se de uma maneira chocante para o americano médio. Deixavam crescer barbas e cabelos, vestiam brim e trajes de algodão colorido, decoravam-se com colares, pulseiras, e profusões de anéis. Passaram a viver em bairros separados ou em comunidades rurais. Rejeitando a sociedade de consumo industrial viviam do artesanato e, no campo, da horta. Não mantinham as regras esperadas de comportamento, higiene, nem de acasalamento: “Paz e Amor” era o seu lema.

Rejeitavam abertamente tudo o que pudesse ser identificado como vindo do “americano médio” porque acreditavam que a essência da agressão ao Vietnã encontrava-se no âmago da sociedade tecnocrática, competitiva, individualista e consumista. Propunham uma contracultura. Não formaram um partido político nem desejavam disputar as eleições. Queriam impressionar pelo comportamento, mudar os costumes dos que os cercavam para mudar-lhes a mentalidade.

O apogeu do movimento da contracultura ocorreu no Festival de Woodstock, nas proximidades de Nova Iorque, em agosto de 1969, quando 300 a 500 mil jovens reuniram-se para um encontro de massas para celebrar o rock e manifestar-se pela paz.




A ala moderada do Movimento Negro, por sua vez, perdeu, em 4 de abril de 1968, o seu maior expoente, o pastor Martin Luther King, assassinado em Memphis. Ele que fora contestado por seus métodos pacifistas pelas lideranças mais jovens e radicais, os "Panteras Negras", inclinava-se contra a Guerra do Vietnã no momento em que foi baleado. King entendia que a luta dos povos do Terceiro Mundo assemelhava-se a dos negros americanos contra a discriminação e o preconceito. Sua morte provocou uma violenta onda de protestos acompanhada de incêndios nos maiores bairros negros em 125 cidades americanas.





A Primavera de Praga

Em 5 de abril de 1968 o povo tcheco tomou-se de surpresa quando soube dos principais pontos do novo Programa de Ação do PC tchecoslovaco. Fora uma elaboração de um grupo de jovens intelectuais comunistas que ascenderam pela mão do novo secretário-geral Alexander Dubcek, indicado para a liderança em janeiro daquele ano. Dubcek um completo desconhecido decidira-se a fazer uma reforma profunda na estrutura política do pais. Imaginara desestalinizá-lo definitivamente, removendo os derradeiros vestígios do autoritarismo e do despotismo que ele considerava aberrações do sistema socialista.


Além de prometer uma federalização efetiva, assegurava uma revisão constitucional que garantisse os direitos civis e as liberdades do cidadão. Entre elas a liberdade de imprensa e a livre organização partidária, o que implicava no fim do monopólio do partido comunista. Todos os perseguidos pelo regime seriam reabilitados e reintegrados. Doravante a Assembléia Nacional multipartidária é quem controlaria o governo e não mais o partido comunista, que também seria reformado e democratizado. Uma onda de alegria inundou o país, e explodiram as manifestações em favor de uma rápida democratização. Chamou-se o movimento, merecidamente, de “ A Primavera de Praga”.

O mundo olhava para Praga com apreensão. O que fariam os soviéticos e os seus vizinhos comunistas? As liberdades conquistadas em poucos dias pelo povo tcheco eram inadmissíveis para as velhas lideranças das “Democracias Populares”. Se elas vingassem em Praga eles teriam que também liberalizar os seus regimes. Os soviéticos por sua vez temiam as conseqüências geopoliticas. Uma Tchecoslováquia social-democrata e independente significava sua saída do Pacto de Varsóvia, o sistema defensivo anti-OTAN montado pela URSS em 1955. Uma brecha em sua muralha seria aberta pela defecção de Dubcek.

Então, numa operação militar de surpresa, as tropas do Pacto de Varsóvia lideradas pelos tanques russos entraram em Praga no dia 20 de agosto de 1968. A “Primavera de Praga” sucumbia perante a força bruta. Sepultaram naquela momento qualquer perspectiva do socialismo poder conviver com um regime de liberdade. Dubcek foi levado a Moscou e depois destituído. Cancelaram-se as reformas, mas elas lançaram a semente do que vinte anos depois seria adotado pela própria hierarquia soviética representada pela política da glasnost de Michail Gorbachov. Como um toque pessoal e trágico, em protesto contra a supressão das liberdades recém-conquistadas, o jovem Jan Palach incinerou-se numa praça de Praga em 16 de janeiro de 1969.



A Rebelião no Brasil


Três meses antes de ocorrer o levante dos estudantes parisienses, no Rio de Janeiro em 28 de março de 1968, um secundarista carioca chamado Edson Luís foi morto numa operação policial de repressão a um protesto em frente ao restaurante universitário “Calabouço”. Deu-se uma comoção nacional. A partir daquele momento o Brasil entraria nos dez meses mais tensos e convulsionados da sua história do após-guerra. A insatisfação da juventude universitária com o Regime Militar de 1964, recebeu adesão de escritores e gente do teatro e do cinema perseguidos pela censura. As principais capitais do país, principalmente o Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, em pouco tempo se tornaram praça de guerra onde estudantes e policiais se enfrentavam quase que diariamente.Cada ação repressora mais excitava a juventude à oposição. Naquela altura apenas os estudantes enfrentavam o regime pois os lideres civis da Frente Ampla (Carlos Lacerda, Jucelino Kubischek e João Goulart, que estava exilado) haviam sido cassados.

Em 26 de junho daquele ano 100 mil pessoas - a Passeata dos Cem Mil - marcharam pelas ruas do Rio de Janeiro exigindo abrandamento da repressão, o fim da censura e a redemocratização do pais. A novidade foi a presença de religiosos, padres e freiras, que aderiram aos protestos. A juventude da época dividiu-se entre os “conscientes”, nos politizados que participavam das passeatas e dos protestos, e os “alienados”que não se inclinavam por ideologias ou pela política.

Em apoio ao regime surgiu o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) de extrema-direita que se especializou em atacar peças de teatro e em espancar atores e músicos considerados subversivos.

Em outubro, ao organizar clandestinamente o 30º congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), o movimento estudantil praticamente se suicidou. Descobertos em Ibiuna no interior de São Paulo, 1200 foram presos. A liderança inteira, entre eles Vladimir Palmeira, caiu em mãos da policia numa só operação. Como coroamento do desastre, o regime militar, sob chefia do Gen. Costa e Silva, decretou, em 13 de dezembro, o AI-5 (Ato Institucional nº 5).

Fechou-se o Congresso, prenderam-se milhares de oposicionista e suprimiram-se as liberdades civis que ainda restavam. A partir de então muitos jovens aderiram a luta armada entrando para organizações clandestinas tais como a ALN (Ação de Libertação Nacional), a VAR-Palmares ou dezenas de outras restantes. Por volta de 1972 o regime militar esmagara todas elas, fazendo com que os sobreviventes se exilassem ou fossem condenados a longas penas de prisão.

Pode-se dizer que a rebelião estudantil, se por um lado precipitou a abolição das liberdades marcando a transição do Regime Militar para a Ditadura Militar, por outro anunciou para o futuro o Movimento das Diretas-já, de 1984, que pôs término aos 20 anos de autoritarismo.

Fontes:
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/1968.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396741.shtml
http://jeocaz.wordpress.com/2008/07/19/paris-maio-de-1968/

19 de dez de 2012

Do Amor e Outros Demônios

Sobre como este livro se tornou um dos meus favoritos.



Há um mês atrás ou sei lá quanto tempo, eu estava lendo alguma coisa sobre as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no site Wikipédia e me deparei com a seguinte frase: A origem das FARC remontam as disputas entre liberais e conservadores na Colômbia, retratadas pela obra de Gabriel García Márquez "Cem Anos de Solidão". Eu tinha certeza de que já havia escutado esse nome "Cem Anos de Solidão", ou apenas achei o título tão bonito que me pareceu até mesmo conhecido. Estava decidida a ler Gabriel Garcia Márquez, mas Cem Anos de Solidão era um livro muito grande para ler no fim do semestre, então li Crônica de uma Morte Anunciada e adorei! Depois retirei  na biblioteca Do Amor e Outros Demônios e achei o livro incrível, não conseguia parar de ler! É sensacional o mistério que envolve a protagonista Sierva Maria de Todos los Ángeles (e sua cabeleira cor de cobre de 22 metros e 11 centímetros!). Sobre Gabriel Garcia Márquez posso dizer que é um escritor colombiano, prêmio Nobel de Literatura, que escreveu livros como Doze Contos Peregrinos, Memória de Minhas Putas Tristes, A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada, Olhos de Cão Azul, O Amor nos Tempos de Cólera, entre outros.

Sinopse:
"Do Amor e Outros Demônios" vem de uma inspiração de quase meio século. Mas sua história vai além. García Márquez viaja até fins do século XVIII, em pleno vice-reinado da Colômbia, esta ainda colônia da Espanha, para compor uma história de amor, cercada de mistério, sortilégio e feitiçaria, culminado num processo instaurado pela inquisição.




Alguns trechos do livro que eu gostei e anotei:

"Não há remédio que cure o que a felicidade não cura."

"Nenhum louco é louco para quem aceita as razões dele."

"Dulce Olívia se consolou com a nostalgia do que nunca acontecera."

"Ela lhe perguntou num daqueles dias se era verdade, como diziam as canções, que o amor tudo podia. 
- É verdade - respondeu ele -, mas será melhor não acreditares."

"Era  muito simples. Delaura tinha sonhado que Sierva Maria estava sentada defronte de uma janela que dava para um campo coberto de neve, arrancando e comendo uma a uma as uvas de um cacho que tinha no colo. Cada uva arrancada tornava a brotar no cacho. No sonho era evidente que a menina estava há muitos anos defronte daquela janela infinita tentando acabar o cacho, e que não tinha pressa, por saber que na última uva estava a morte."

28 de nov de 2012

#FAZOGOLDILMA

Em meio a uma semana decisiva para os rumos da educação brasileira, o presidente da UNE, Daniel Iliescu, publicou em sua página oficial do Facebook uma carta aberta que será entregue a presidenta Dilma Rousseff, como apelo à importante tarefa de sancionar o PL 2.565/11, que trata da destinação dos royalties do petróleo no país.

Para os estudantes, os royalties são uma fonte de recurso imprescindível para que o Brasil alcance a meta de investimento em educação prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE). O plano definirá as políticas públicas para o setor pelos próximos dez anos e a principal luta do movimento estudantil é que seja destinado 10% do PIB para o projeto.
Para dar esse passo inédito e transformador rumo ao desenvolvimento no Brasil, fruto de uma longa mobilização dos estudantes brasileiros e da união de forças entre movimento estudantil e educacional, os estudantes pedem para que a presidenta regulamente o projeto, que será votado no próximo dia 30 de novembro, e destine 100% dos royalties para a educação.
Para tonificar a mobilização, Iliescu também gravou um vídeo pedindo para que todos os estudantes vistam a camisa e ajudem a presidenta Dilma Rousseff a fazer o maior gol da história do Brasil. Usando a hashtag #fazogoldilma, Iliescu convida o movimento estudantil a participar de tuitaços, compartilhamentos pelo Facebook e envio de e-mails para a caixa da presidenta.
Confira abaixo a carta:

Carta aberta dos estudantes brasileiros à presidenta Dilma Rousseff:
Excelentíssima senhora presidenta da República Dilma Rousseff,
A União Nacional dos Estudantes e a juventude brasileira trazem esta mensagem por acreditarem partilhar a esperança de transformação do Brasil pela via da educação.
Reconhecemos a sua dedicação a esse tema no debate sobre a distribuição dos royalties do petróleo no país. Vemos com otimismo que a presidenta tenha declarado publicamente, por mais de uma vez, defender a destinação da totalidade desses recursos e metade do fundo social do Pré-sal, exclusivamente, para a área da educação brasileira.
Essa é a maior das reivindicações do movimento estudantil organizado do país neste momento em que lutamos para alcançar os investimentos de 10% do PIB para a educação. Para além do legítimo e importante debate entre estados e municípios a respeito da divisão dos royalties do petróleo, os estudantes têm a clara certeza de que, mais urgente ainda, é definir como esses recursos serão gastos.
Destinar 100% dos royalties para a educação é agir em função do real desenvolvimento da população brasileira, da sua possibilidade de emancipação pela via do conhecimento, do caminho em direção a um futuro mais justo e positivo. Investir prioritariamente em educação é a chave para corrigir injustiças históricas, atacando as desigualdades e violências sociais, permitindo o exercício da cidadania plena, a nutrição do espírito crítico e do processo democrático no Brasil por parte de todas e todos, independente de suas condições objetivas.
A partir da aprovação do projeto de lei 2565/11 pelo Congresso Nacional, surge a necessidade de que os órgãos do poder público, incluindo a presidência, regulamentem o destino dos royalties do petróleo que lhes cabem, definindo onde serão investidos. Portanto, a UNE vem, de forma respeitosa, porém incisiva, manifestar a sua extrema confiança de que a presidência da República garantirá 100% dos royalties da União exclusivamente para a educação brasileira. Os estudantes também anseiam, com otimismo, pelo gesto da presidenta que irá dedicar 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-sal para a educação.
A UNE compreende que tais ações, neste momento histórico, serão como a resposta a uma grande chance, como um gol imperdível em um momento decisivo do jogo que sela o futuro deste país e de suas muitas gerações vindouras. Os estudantes confiam, presidenta Dilma, em vossa coerência e lucidez para tal.
Não podemos, presidenta, hesitar. Em outros momentos da história, o Pau-Brasil, o ouro e as pedras das Minas, a cana ou o café, tudo o que desta terra emanava, não tornaram-se riquezas para aqueles que as produziam e que verdadeiramente delas precisavam – e ainda precisam.
Hoje, podemos aplicar os proventos de nossos recursos naturais a favor das pessoas.
Senhora presidenta, os estudantes a observam tendo à frente a bola e o gol.
E estão ao seu lado.
Faz o gol Dilma!
Daniel Iliescu

Presidente da União Nacional dos Estudantes
27 de novembro de 2012


27 de nov de 2012

Raul me conquistou.

Foi um processo lento, uma música cantada no meu ouvido dia sim, dia não. Depois, uma troca de olhares e, de repente, estava com toda discografia na minha frente! Foi muito para mim. Não estava preparada para isso e fui embora. Mas voltei, conversamos e decidimos ir devagar. Hoje estou gostando dessa música, amanhã já não sei. Prefira ser essa metamorfose ambulante - foi o que ele me disse.

A Hora do Trem Passar - Raul Seixas

Você tão calada e eu com medo de falar
Já não sei se é hora de partir ou de chegar
Onde eu passo agora não consigo te encontrar
Ou você já esteve aqui ou nunca vai estar

Tudo já passou, o trem passou, o barco vai
Isso é tão estranho que eu nem sei como explicar

Diga, meu amor, pois eu preciso escolher
Apagar as luzes, ficar perto de você
Ou aproveitar a solidão do amanhecer
Prá ver tudo aquilo que eu tenho que saber


21 de nov de 2012

O Lobo da Estepe II


O Lobo da Estepe - Hermann Hesse
Página 158

Os Imortais
Dos vales terrenos
chega até nós o anseio da vida:
impulso desordenado, ébria exuberância,
sangrento aroma de repastos fúnebres.
São espasmos de gozo, ambições sem termo,
mãos de assassinos, de usurários, de santos,
o enxame humano fustigado pela angústia e o prazer.
Lança vapores asfixiantes e pútridos, crus e cálidos,
respira beatitude e ânsia insopitada,
devora-se a si mesmo para depois se vomitar.
Manobra a guerra e faz surgir as artes puras,
adorna de ilusões a casa do pecado,
arrasta-se, consome-se, prostitui-se todo
nas alegrias de seu mundo infantil;
ergue-se em ondas ao encalço de qualquer novidade
para de novo retombar na lama.
Já nós vivemos
no gelo etéreo transluminado de estrelas;
não conhecemos os dias nem as horas,
não temos sexos nem idades.
Vossos pecados e angústias,
vossos crimes e lascivos gozos,
são para nós um espetáculo como o girar dos sóis.
Cada dia é para nós o mais longo.
Debruçados tranqüilos sobre vossas vidas,
contemplamos serenos as estrelas que giram,
respiramos o inverno do mundo sideral;
somos amigos do dragão celeste:
fria e imutável é nossa eterna essência,
frígido e astral o nosso eterno riso.

Lobo da Estepe I

O Lobo da Estepe - Hermann Hesse
Página 20 

"- Esta aqui também é boa, muito boa - disse. Veja só esta frase: 'O homem devia orgulhar-se da dor; toda dor é uma manifestação de nossa elevada estirpe.' Magnífico! Oitenta anos antes de Nietzsche! Mas não é esta a passagem que eu pensava em mostrar-lhe...Espere, aqui está. Ouça: 'A maioria dos homens não quer nadar antes que o possa fazer.' Não é engraçado? Naturalmente, não querem nadar. Nasceram para andar na terra e não para a água. E, naturalmente, não querem pensar: foram criados para viver e não para pensar! Isso mesmo! E quem pensa, quem faz do pensamento sua principal atividade, pode chegar muito longe com isso, mas, sem dúvida estará confundindo a terra com a água e um dia morrerá afogado."

20 de nov de 2012

Desenho Cigana/Gitana

Olá! Ontem desenhei uma cigana com aquarela e nanquim, gostei do resultado! Agora acho que deveria ter feito um fundo mais elaborado, quem sabe na próxima... Fazia tanto tempo que não desenhava que achei que não ia conseguir mais. Geralmente só desenho quando me sinto sozinha. É a primeira vez que consigo fazer um desenho com aquarela um pouco melhorzinho. Nos últimos dias, só tenho ouvido música cigana, ou quase isso, por isso fiz o desenho. Embora tenha escrito a letra de uma música da Shakira - Gitana/Gipsy - isso não tem a ver com o que ando escutando. Mas disso eu falo na próxima postagem. Até! o/

Desenho pronto.

Que soy gitana!

Esboço do corpo.

Desenho à lápis  finalizado.

Com aquarela, ainda sem o nanquim.

12 de out de 2012

O que não tem fim sempre acaba assim.

Não postarei mais no blog por algum tempo.
Um tempo que pode ser uma semana, um mês, ou o resto da vida.
Quem sabe?
E mais, quanto dura "o resto da vida"?
Um segundo, uma semana, um mês, 30 anos.
Quem sabe?


Eu não quero ser.


Uma bela música, abertura de uma das melhores séries que já vi - One Tree Hill.



I Don't Want To Be - Gavin Degraw

Eu não preciso ser nada além de um filho de um guarda de prisão
Eu não preciso ser nada além de um filho de um especialista
Eu não tenho que ser alguém além do nascimento de duas almas em uma
Parte de onde estou indo é conhecer de onde eu venho

Eu não quero ser nada além do que estou tentando ser ultimamente
Tudo o que eu tenho que fazer é pensar em mim, e eu terei paz de espírito
Estou cansado de olhar nos quartos em volta imaginando o que eu tenho que fazer
Ou quem eu devo ser
Eu não quero ser nada além de mim

Estou cercado por mentirosos por todos os lados onde me viro
Estou cercado por impostores por todos os lados onde me viro
Estou cercado por uma crise de identidade por todos os lados onde me viro
Eu sou o único que percebeu?
Não posso ser o único que aprendeu

Eu não quero ser nada além do que tenho tentado ser ultimamente
Tudo o que tenho que fazer é pensar em mim, e terei paz de espírito
Estou cansado de olhar nos quartos em volta imaginando o que tenho que fazer
Ou quem devo ser
Eu não quero ser nada além de mim

Posso ter a atenção de todos, por favor?
Se você não gosta disso ou daquilo
Você tem que partir
Eu venho das montanhas, a casca da criação
Toda minha situação foi feita do barro para a pedra
E agora eu digo para todos

Eu não quero ser nada além do que tenho tentado ser ultimamente
Tudo o que tenho que fazer é pensar em mim e terei paz de espírito
Estou cansado de olhar em quartos ao redor imaginando o que tenho que fazer
Ou quem devo ser
Eu não quero ser nada além de mim
Eu não quero ser
Eu não quero ser
Eu não quero ser
Eu não quero ser

O que guia a atuação dos vereadores?


No dia 7 de outubro foram eleitos cerca de 70 mil vereadores em todo o Brasil, 18,8 mil a mais que na última eleição, em 2008. Isso se deve basicamente ao aumento da população e a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que resolveu elevar para nove o número de vereadores nos municípios com até 15 mil habitantes.

Esse número maior de vereadores quer dizer que a democracia se ampliou em nosso país? Temos mais parlamentares com a atribuição legal de fiscalizar o Executivo e de propor leis que, em princípio, devem defender o interesse público, buscar a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, propor políticas públicas para assegurar direitos a todos os cidadãos. Mas, mesmo com mais parlamentares, ainda é difícil responder a essa pergunta.


Importa também avaliar quanto esses vereadores têm se mostrado efetivos no exercício do que as leis prescrevem como atribuições de seu mandato: as medidas de fiscalização do Executivo que propõem; os projetos de lei que apresentam; como participam da discussão e aprovação do orçamento público municipal, dos planos plurianuais.

O perfil dos vereadores eleitos nas legislaturas anteriores mostra um predomínio masculino − cerca de 88% são homens − e um grau de escolaridade que retrata o mundo das desigualdades em nosso país. Dos vereadores eleitos em 2004, por exemplo, quase a metade (48%) só tem o ensino fundamental completo e 77% têm o ensino médio completo.

Esses vereadores precisam se haver com os regimentos internos das câmaras municipais, com as formalidades e procedimentos da atuação legislativa, com o desafio de promover a fiscalização do Executivo, que por sua vez não apresenta transparência em seus processos e decisões e normalmente resiste a qualquer tipo de fiscalização.

É muito comum que as ofensivas das prefeituras para assegurar a maioria nas câmaras municipais, elemento importante da governabilidade, encontrem esses vereadores dispostos a negociar seu apoio, seja em troca de benfeitorias nas regiões que concentram seu eleitorado, seja em benefício próprio. É o velho clientelismo, que combina com a perpetuação das elites no poder. Os partidos políticos contam pouco nessa esfera municipal e, na verdade, pouco se diferenciam uns dos outros. E assim se formam maiorias nas câmaras municipais, seduzidas pelos executivos, que relegam suas funções atribuídas pela Constituição e pelas leis orgânicas municipais e passam a integrar a base de apoio do governo. Um governo, na grande maioria dos casos, que governa para poucos. Os vereadores que se mantêm independentes e críticos ficam confinados a uma atuação de minorias, com pouca capacidade para mudar procedimentos e essa lógica de balcão, a face visível da defesa de interesses privados.

Há uma combinação perversa que articula a precária formação da maioria dos vereadores com a ausência de projetos partidários para atender ao interesse público na sua cidade. Para não ser injusto com algumas importantes iniciativas, vamos dizer que essa é a realidade da grande maioria das cidades. Elas continuam gerando desigualdade, pobreza e exclusão. E os governos ou não querem, ou não podem mudar essa lógica.
Essas minorias que resistiram e se mantêm comprometidas com a defesa do interesse público são o que há de melhor nas câmaras municipais. É com elas que as entidades e os movimentos da sociedade civil que integram um campo político popular e democrático precisam se articular, dar força a esses mandatos e utilizá-los como canal de expressão política das demandas sociais e das pressões pela participação popular na gestão pública.

As câmaras municipais são um espaço de disputa de poder. Elas aprovam o orçamento municipal, definem políticas. A mudança no zoneamento urbano cria incríveis oportunidades de negócios para o mercado imobiliário, por exemplo. Mas algumas câmaras também aprovaram as Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), que definem favelas que, por projeto de lei, se tornam prioritárias para o investimento público.

Muitos dos problemas das cidades podem ser resolvidos se houver uma pressão efetiva por parte das entidades da sociedade civil que se organizam na defesa de direitos. É assim, tradicionalmente, que as políticas mudam: por pressão. Mas é preciso ter, dentro do parlamento, bancadas de parlamentares comprometidas com as demandas sociais e com os movimentos de pressão por mudanças. É aí que cresce a importância do vereador, que passa a ser um verdadeiro representante do interesse público e dos agentes de transformação social.

Fonte: Canal IBase.
Texto original de Silvio Caccia Bava, do Le Monde Diplomatique Brasil.

KISS!

Um pouco de Kiss pra animar esse blog.  :]

Detroit Rock City! 



Acontece que na vida a gente tem que ser feliz por ser amado por alguém.

A semana inteira
Fiquei esperando
Pra te ver sorrindo
Pra te ver cantando
Quando a gente ama
Não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar
Se quer amar.

- Não Quero Dinheiro / Tim Maia

Essa semana tenho resgatado alguns ícones nacionais, como Cazuza, Tim Maia, Cássia Eller, Lulu Santos...Os ouvidos agradecem. O coração também. Beijos, bom fim de semana.

8 de out de 2012

O castelo dos destinos cruzados.

Quando você me disse que não era nada
Daquilo que a gente sempre imaginou
Um vento frio soprou, uma janela bateu
Na noite escura da alma
Quando você me olhou daquele jeito
Que só você olhava
Um passarinho voou baixinho
Deixou pra trás tudo que acreditava
Quando as paredes e o teto caíram
Eu pensei que era o final
Mas era só o começo de um problema
Só um pesadelo normal
Lembra de mim, você me enlouquece
A cabeça diz que é besteira
Mas o coração não esquece
No castelo dos destinos que se cruzam no tempo
Ninguém liga se já foi ou se ainda pode ser
Uma criança que nasceu em 62
Uma mulher que eu conheci em 43
Os dias passam lentamente prá quem pensa nos dias
Semanas e semanas só pensando em você
O tempo pinga lento, dentro do meu talismã
Nas estrelas de centauro, hoje é o ontem do amanhã
Lembra de mim...
No castelo dos destinos cruzados
O viajante que chegou pode ser você
Eu fiz de tudo que eu pude para te esquecer
A morte vive aqui do lado só que a gente não vê
Uma pessoa que ficou perdida
Uma pessoa que caiu do céu
Uma pessoa que você já conhecia
Muito antes de nascer e que você perdeu.

O Castelo dos Destinos Cruzados / Engenheiros do Hawaii

Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada.

O fascismo é fascinante, deixa a gente ignorante e fascinada.
É tão fácil ir adiante e se esquecer que a coisa toda tá errada.
Eu presto atenção no que eles dizem mas eles não dizem nada.

Falta pão, o pão nosso de cada dia.
Sobra pão, o pão que o diabo amassou.

- Toda Forma de Poder / Engenheiros do Hawaii

Perto.


I am the walrus.

Eu sou ele,
como você é ele,
como você é eu,
e nós somos todos juntos!

- The Beatles

2 de out de 2012

O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. 
Quando se vê, já são seis horas! 
Quando de vê, já é sexta-feira! 
Quando se vê, já é natal... 
Quando se vê, já terminou o ano... 
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. 
Quando se vê passaram 50 anos! 
Agora é tarde demais para ser reprovado... 
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. 
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... 
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... 
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. 
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. 
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

- Mário Quintana

30 de set de 2012

Cecilia, you're breaking my heart! ♪

Olá pessoas! Naquele filme The Music Never Stopped (que eu já falei aqui!), o protagonista cantava uma paródia para uma moça chamada Celia, e era muito bonitinha! E agora quando eu estava ouvindo um álbum de Simon & Garfunkel eu achei a música original no meio, que até então, eu não sabia de quem era. Que nostalgia naquele momento! Agora não paro de escutar, adoro essa música! Esse filme é ótimo, a trilha sonora encantadora. E neste momento, eu estou muito viciada em Simon & Garfunkel! Beijos, até mais! :)


29 de set de 2012

O Pequeno Príncipe

O Pequeno Príncipe
Antoine Saint-Exupéry

Capítulo XXI




E foi então que apareceu a raposa:

− Bom dia – disse a raposa.

− Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe, que, olhando a sua volta, nada viu.
− Eu estou aqui – disse a voz, debaixo da macieira…
− Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita…
− Sou uma raposa – disse a raposa.
− Vem brincar comigo – propôs ele – Estou tão triste…
− Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
− Ah! Desculpe – disse o principezinho.

Mas, após refletir, acrescentou:
− Que quer dizer ‘cativar’?
− Tu não és daqui – disse a raposa – Que procuras?
− Procuro homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer ‘cativar’?
− Os homens – disse a raposa – tem fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
− Não – disse o pequeno príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer ‘cativar’?
− É algo quase sempre esquecido – disse a raposa – Significa ‘criar laços’…
  Criar laços?
− Exatamente – disse a raposa – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
− Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. –

Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
− É possível – disse a raposa – Vê-se tanta coisa na Terra…
− Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
− Num outro planeta?
− Sim.
− Há caçadores nesse planeta?
− Não.
− Quem bom! E galinhas?
− Também não.
− Nada é perfeito – suspirou a raposa.
Mas a raposa retomou o raciocínio.
− Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
− Por favor… cativa-me! – disse ela.
− Eu até gostaria, – disse o principezinho – mas não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
− A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa – Os homens não tem mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não tem mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
− Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
− É preciso ser paciente – respondeu a raposa – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto…

No dia seguinte o príncipe voltou.
− Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa – Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração… É preciso que haja um ritual.
− Que é um ‘ritual’? – perguntou o principezinho.
− É uma coisa muito esquecida também – disse a raposa. – É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meu caçadores, por exemplo, adotam um ritual. Os meus caçadores, por exemplo, adotam um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!
Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
− Ah! Eu vou chorar.
− A culpa é tua – disse o principezinho – Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
− Quis – disse a raposa.
− Mas tu vais chorar! – disse ele.
− Vou – disse a raposa.
− Então, não terás ganho nada!
− Terei, sim – disse a raposa – por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
− Vai rever as rosas. Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas:
− Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes ninguém. Sois como era minha raposa. Era igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram desapontadas.
− Sois belas, mas vazias – continuou ele – Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é minha rosa.


E voltou, então, à raposa:
− Adeus… – disse ele.
− Adeus – disse a raposa – Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
− O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para não se esquecer.
− Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
− Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… – repetiu ele, para não se esquecer.
− Os homens esqueceram essa verdade – disse ainda a raposa – Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa…
− Eu sou responsável pela minha rosa… – repetiu o principezinho, para não se esquecer.