5 de nov de 2011

O Quintal das Parabólicas

Sábado, cinco de novembro de 2011. Dia nublado.

Sentada do lado de fora de casa, sentindo o vento balançar meus cabelos, olho para meu ombro esquerdo, aperto meu braço e sinto minha pele. Concluo que gosto de mim. Quando sozinha, não vejo nenhum problema em meu jeito de ser ou na minha aparência. É na presença de outros que me desvalorizo. Por que?
Na casa da vizinha, um barulho incessante de apirador de pó. Pena que este utensílio, além do pó, não aspire todas as futilidades, falsidades, todas as maldades que as pessoas cometem com seus familiares, e tudo aquilo que eles julgam ser felicidade e bem estar.
Retorno o pensamento para mim. No meu colo, o livro Guerra e Paz, página 236. Parei de ler e comecei a anotar meus pensamentos, que neste instante, inundavam minha cabeça.
Uma mosca pousa na minha mão. Ao meu redor, vejo uma banheira de bebê antiga cheia de pêssegos dentro, vejo um céu cinza, um fogão à lenha nunca utilizado, vejo até uma motocicleta e muitas, muitas parabólicas. Elas estão por todo lado, 14 no total. Uma parabólica acima da minha cabeça, uma parabólica no horizonte, duas parabólicas em cima das uvas para captar o sinal pirata da TV por assinatura, e mais 10 espalhadas pelo quintal. Me pergunto, para que tantas parabólicas? Se a vida está lá fora e não dentro de uma caixa que emite som e luz? Que sinal as pessoas estão tentando captar? Por que acompanhar todos os noticiários sensasionalistas e todas as novelas irreias, em que o final feliz sempre acaba em casamento e filhos? A vida real é bem diferente daquela da TV. O sofrimento é maior. O amor é melhor. Amar é bem melhor que ver o amor passar.
Agora, já está chovendo razoavelmente em cima de mim e do meu livro. Melhor entrar para dentro (pleonasmo: dos meus vícios, o menor).

Ao som de Bob Dylan, transcrevo tudo que escrevi no caderno para o blog e percebo que nem sempre o que eu penso é o que faço. E na verdade eu sei que, nem tudo que passa na TV é ruim (embora a maioria seja). Eu também assisto séries. Mas sei que, tranquilamente, poderia viver sem elas. Me sinto um poço de contradição. Mas na verdade, o que desprezo é a TV em excesso. São as brigas entre casais para decidir se vão deixar no canal do futebol ou da novela. O que não gosto de ver é gente deitada o domingo inteiro na frente da TV. Que droga, este post não era pra ser sobre TVs, mas eu não consegui evitar. Hoje estou um saco, filosofando sobre tudo.

Tenho mil trabalhos da faculdade para fazer, mas com tantos pensamentos não consigo.

A quantidade de 'mas' nesta última parte do texto é alarmante.

Eu já editei este post umas 5 vezes.

Agora deu, vou embora pra Pasárgada, lá sou amiga do rei.

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