14 de ago de 2011

Woodstock 1969 - Três dias de Paz e Música

Há algumas décadas, nos dias 15,16 e 17 de agosto de 1969, acontecia o maior de todos festivais de música, o Woodstock Music & Art Fair. Anunciado como Primeira Exposição Aquariana, o festival prometia três dias de paz e música. O festival exemplificou a era hippie e a contracultura do final dos anos 60. Mais de trinta músicos apresentaram-se durante um chuvoso fim de semana para meio milhão de pessoas, entre eles Janis Joplin, Jimi Hendrix, Creedence Clearwater Revival, Country Joe & The Fish, Melanie, The Who, Joan Baez, Joe Cocker e muitos outros.

Agora vou citar uma parte do livro que estou lendo - Rock: Os anos da Utopia e os Anos da Incerteza, de Roberto Muggiati :
" No dia seguinte ao festival.. O New York Times afirmava, num editorial indignado: 'Os sonhos de marijuana e rock que atraíram 300 mil fãs e hippies à região dos Catskills tinham pouco mais de senidade do que os impulsos que levam lemingues (pequenos roedores das regiões árticas) a caminharem para a morte no mar. Eles terminaram num pesadelo de lama e estagnação que paralisou o condado de Sullivan durante todo um fim de semana.' Mais adiante, o NYT perguntava: 'Que tipo de cultura é essa capaz de produzir uma confusão tão colossal?'... O Time, mais sensível e sempre aberto para novos leitores, explicava Woodstock num ensaio intitulado A Mensagem do Maior Happening da História. Um mês antes, o homem havia pisado na Lua pela primeira vez. Algúem definiu Woodstock como 'o dia em que o homem pisou na Terra.'
Para a contracultura, Woodstock foi uma espécie de cerimônia de sagração. Aqueles que tiveram a chance de viver de perto o festival, saíram de lá sentindo-se ungidos de santidade, como seres privilegiados de um outro planeta, superior. O líder yippie Abbie Hoffman lançava, poucas semana depois, o livro Woodstock Nation, uma cartilha revolucionária ilustrada...Hoffman corporificava, pelo menos no plano do discurso, elementos até então dispersos e fracionados da contracultura e falava da nação de Woodstock como se ela fosse um país de verdade. O líder estudantil Tom Hayden lançava também seu livro, The Trial (1970), em que complementava os sonhos de Hoffman com uma crítica e um anseio: 'Abbie é um pioneiro nessa luta, mas até agora sua nação de Woddstock é um coisa puramente cultural, um estado mental partilhado por milhares de jovens. O estágio seguinte será transformar esta nação de Woodstock numa realidade organizada, com suas próprias instituições revolucionárias e, já a partir de agora, com raízes em seu próprio território.'
Em outras palavras, muitos jovens de 1969 estavam dispostos até a ir à luta armada para uma nova Guerra de Secessão - ou Guerra da Independência - contra o governo dos EUA.. Woodstock parecia uma pré-estréia da sociedade utópica do futuro..."

Acho que este trecho do livro exemplifica bem a grandiosidade deste festival e a proporção das idealizações dos jovens da época. Nunca mais houve um festival com a força de Woodstock, ele foi único, fez história.
E fica a dica de livro para quem gosta de rock e se interessa por sua história - Rock: Da Utopia à Incerteza(1967-1984) de Roberto Muggiati. Livro bom para quem quer saber mais e entender o que foi o rock, e o que acabou acontecendo com ele.. Tenho me perguntado, o que é o rock hoje?

Multidão de pessoas em Woodstock 1969.

Jimi Hendrix

2 comentários:

Leon Ferrari e Lailson Dias disse...

Esse com certeza foi o maior festival de todos, tenho os dois filmes e cada vez que assisto parece que é a primeira vez. Muito bom o post, abrasss Mariane.

Leon Ferrari e Lailson Dias disse...

Vou colocar um link do seu blog no meu viu, merece ser divulgado é muito bom